Você sabia que o setor de NFTs movimentou apenas no segundo trimestre deste ano US$ 754,3 milhões globalmente? Devido ao recente frenesi que despertou em torno deste tipo de ativos, nesse mesmo período o valor de movimentações resultou ser 48,2% superior ao observado nos três meses anteriores.

Mas, afinal, o que são NFTs? Será que vale a pena investir neles? Continue lendo este artigo e saiba mais!

O que são NFTs?

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NFT é a sigla em inglês para “Non Fungible Tokens” (ou Tokens Infungíveis, em portugês). Eles são, basicamente, certificados de propriedade virtual (ou cripto ativos) e a sua explosão recente no mundo dos investimentos tem criado grandes debates sobre o futuro das transações e dos direitos autorais.

Através destes tokens infungíveis, a autenticidade ou direitos de propriedade de qualquer bem digital pode ser armazenada virtualmente e as informações não podem ser duplicadas ou falsificadas.

O nome destes ativos deriva-se da sua principal propriedade. Um ativo fungível, por exemplo, é um ativo que pode ser trocado por outro ativo do mesmo valor, e à medida que se deteriora, é usado ou consumido. Um exemplo claro é o dinheiro.

Quando você deve 100 reais para o seu banco, por exemplo, você não precisa devolver a mesma nota de 100 reais que lhe foi emprestada, mas apenas precisa retornar outra quantia exatamente igual. 

No entanto, existem bens que não podem ser substituídos por outros: eles têm propriedades únicas e originais, como por exemplo, uma obra de arte. 

Apesar de a maior parte das criptomoedas serem fungíveis, os NFTs são, de fato, ativos com propriedades singulares, ou seja, infungíveis. Consequentemente, o valor de cada NFT é único, e os direitos sobre o bem digital específico são negociáveis.

Como funcionam os NFTs?

Os NFTs utilizam a mesma tecnologia que as outras criptomoedas, ou seja, a chamada blockchain. Suas transações são realizadas através de um ledger digital em uma rede descentralizada e armazenadas em uma carteira.

Entretanto, eles diferem das criptomoedas por estarem compostos por um conjunto de metadados que lhes confere propriedades únicas. E esses metadados podem estar formados por diversas características, tais como tamanho, nome do criador, entre outras, que garantem a autenticidade da propriedade.

A operação dos NFTs pode variar dependendo da plataforma da blockchain que os organiza. 

Inicialmente, esses ativos executavam transações através da rede Ethereum, cuja facilidade de criação de contratos inteligentes baseiam hoje os padrões de criação de um NFT. Contudo, os NFTs podem ser negociados em qualquer blockchain.

Atualmente, graças a esta tecnologia, qualquer bem digital pode se tornar um NFT. E este processo é chamado de “tokenização”.

Quais são as vantagens dos NFTs?

Agora que você já sabe o que é um NFT, entenda melhor quais são as vantagens que estes ativos possuem para aqueles que investem neles:

  • Negociabilidade: Ao padronizar os NFTs, eles podem ser facilmente transferidos de uma carteira a outra. 
  • Escassez Comercial: Graças aos contratos inteligentes, os desenvolvedores de projetos NFTs podem criar um número limitado de uma propriedade digital específica. Eles também podem exigir que estas particularidades permaneçam imutáveis ao longo do tempo, o qual pode gerar uma maior valorização em alguns setores. 
  • Programabilidade: Os NFTs são 100% programáveis. Eles podem ser programados com contratos inteligentes para criar múltiplas possibilidades de negociação.
  • Alguns blockchains permitem funções de rastreabilidade no NFT: ou seja, os NFTs permitem que o autor ou dono da propriedade digital esteja ciente de todas as transações feitas no trabalho, inclusive facilitando o reconhecimento de royalties por transação.

Quais são as desvantagens dos NFTs?

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Apesar de serem atualmente uma opção popular para aquelas pessoas que preferem investir em cripto ativos, os NFTs possuem algumas desvantagens que você deve conhecer:

1. Singularidade vs Propriedade

As pessoas que compram NFTs podem estar comprando menos do que pensam, simplesmente por não compreender como funcionam este tipo de ativos.

Muitos compradores pensam que, ao comprar um NFT associado a um arquivo digital subjacente, eles estão comprando o arquivo digital e não apenas o token dele. Contudo, essa é uma falsa percepção.

Na realidade, quando é realizada a compra de um NFT, um identificador criptográfico associado à propriedade digital é registrado na blockchain. Porém, os arquivos digitais originais permanecem fora dela.

Quando as pessoas compram um ebook, por exemplo, a maioria compreende o fato de que, nessa transação, não está se obtendo uma parte dos direitos autorais da obra, e sim apenas o direito de ler ela. 

Contudo, no caso dos NFTs, algumas pessoas acreditam que estão comprando de alguma forma os direitos de controlar uma propriedade digital. Ou ainda podem pensar que pelo menos estão obtendo direitos extraordinários sobre uma propriedade digital que pode ser explorada. Mas geralmente esse não é o caso

Também, a determinação das partes corretas para autorizar a venda inicial de uma propriedade NFT pode nunca acontecer; e tanto o comprador quanto o vendedor correm o risco de ter sua transação invalidada pelo verdadeiro detentor dos direitos.

2. Impacto Ambiental

A tecnologia Blockchain se caracteriza por seu alto consumo de energia e, consequentemente, pelas elevadas emissões de gases de efeito estufa. 

De acordo com um estudo da Digiconomist, o Ethereum, por exemplo, consome cerca de 73.6 terawatts-horas de eletricidade por ano, o qual representaria aproximadamente o consumo de energia anual de um país como a Áustria.

Cada transação de NTFs tem o mesmo impacto que a pegada de carbono produzida pelo uso de criptomoedas. Por isso, pesquisadores acreditam que a compra destes ativos acaba comprometendo o meio ambiente de forma inédita.

3. A Escassez Artificial 

O advento da Internet levou à geração de cópias digitais de quase todas as obras que podem ser traduzidas do mundo analógico para o virtual, e, claro, de obras criadas inteiramente de forma digital. 

A facilidade de gerar reproduções idênticas de ativos digitais significou um maior acesso à cultura em termos globais. A escassez deriva da existência limitada de recursos e a virtualidade torna possível superar esta escassez sempre que a reprodução de uma obra de arte, por exemplo, se torna um processo excessivamente simples e barato. 

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Contudo, ao inventar uma “escassez artificial“, o mercado de NFTs está criando uma falsa simulação de acontecimentos financeiros, pois na verdade qualquer propriedade digital registrada em um NFT pode ter milhares de cópias de igual qualidade circulando na internet. 

Nesse sentido, a abstração das NFTs transforma seu mercado em um espaço aberto principalmente para uma especulação que tem pouco a ver com a qualidade de uma propriedade digital, seu valor financeiro real ou seu impacto na sociedade. 

Por isso, os riscos de investimento tornam-se consideravelmente maiores.

Afinal, vale a pena investir em NFTs?

Como você já viu até aqui, NFTs não podem ser duplicados, podem ser facilmente verificadas e autenticadas na blockchain e são imutáveis. 

No entanto, não há hoje uma maneira de predecir que eles manterão seu valor intrínseco ao longo do tempo. Atualmente, o valor é impulsionado apenas pela escassez.

A natureza especulativa inerente neste tipo de ativos pode comprometer bastante o seu investimento.

Portanto, se você busca investir no médio e longo prazo com uma estratégia adequada para a sua carteira, então colocar seus recursos financeiros no investimento em NFTs provavelmente não será uma opção rentável para você.

E com isso me despeço por hoje.

Espero que você tenha gostado deste conteúdo. Continue nos acompanhando para mais!