Benjamin Graham: a História do Criador do Investimento em Valor, Autor da “Bíblia dos Investimentos” e Mentor de Warren Buffett

Benjamin Graham.

O mentor do maior investidor de todos os tempos.

Simplesmente isso.

Sim.

Benjamin Graham foi o principal professor e colega de Warren Buffett, quando esse estava no início da sua carreira no mercado financeiro.

Não há como discordar da sua importância no mundo dos investimentos.

Se o “oráculo de Omaha”, como Buffett é carinhosamente chamado, já ganhou um artigo especial aqui no Clube do Valor, agora é a vez de Graham.

E talvez você até o conheça um pouco.

Afinal, já falei sobre a sua influência na vida de Buffett anteriormente.

Mas aqui, eu quero focar principalmente na história desse homem e os principais ensinamos que ele nos deixou.

Autor de dois dos mais importantes livros sobre investimentos – O Investidor Inteligente (1949) e Security Analysis (1934) –, ele com certeza tem muito a nos transmitir sobre o assunto.

Eu realmente acredito que as pessoas precisam conhecer o que mentor de Warren Buffet tem a ensinar, não importa se você já alcançou sua independência financeira ou não.

Por isso, recomendo muito a leitura desse artigo.

Então continue lendo para saber mais sobre pontos como…

A HISTÓRIA DE BENJAMIN GRAHAM, O “INVESTIDOR INTELIGENTE”

Ao contrário do que muitos devem pensar, Benjamin Graham não é o nome de batismo desse guru dos investimentos.

E essa sua troca do sobrenome estava ligada a uma infância nada fácil.

Nascido no dia 9 de maio de 1894 em Londres, na Inglaterra, Benjamin Grossbaum (nome de batismo) teve que se mudar para Nova York com sua família enquanto ele ainda era muito novo, com apenas um ano de idade.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a família Grossbaum, de origem judaica, foi obrigada a mudar de sobrenome quando os alemães colocaram diversos nomes sob suspeita.

Assim, a família passou de Grossbaum para Graham.

Porém, uma grande tragédia ainda estava para acontecer na vida do futuro investidor.

Enquanto ainda era novo, o chefe da família Graham faleceu, fazendo os integrantes restantes experimentarem um período de sofrimento e pobreza.

Em vez de fraquejar, Benjamin Graham usou o triste fato como motivação para se tornar um ótimo estudante.

Com apenas 20 anos, ele se formou pela Universidade de Columbia, graças a uma bolsa conseguida por seu brilhantismo.

Por conta de seus resultados acadêmicos, Graham foi convidado para ensinar inglês, matemática e filosofia na universidade, mas declinou todas as ofertas.

A situação de sua família ainda era delicada, o que o motivo a procurar um emprego com um retorno financeiro melhor quando comparado a outras carreiras.

O COMEÇO DA CARREIRA EM WALL STREET

Atraindo pelas promessas de ganho na bolsa de valores, Benjamin Graham foi se aventurar em Wall Street.

Engana-se quem pensa que as suas atividades iniciais envolviam a corretagem ou a recomendação de ações.

Trabalhando para a empresa Newburger, Henderson and Loeb por apenas US$ 12 por semana (o que era um salário baixo para a época), ele era encarregado de entregar documentos e cheques, fazer descrição de emissão de títulos e, mais tarde, escrever a carta de mercado diária da companhia para a qual trabalhava.

Mas o brilhantismo de Graham não demorou para aparecer.

Logo, ele passou a analisar a saúde financeira das empresas como sua principal função.

Aos 26 anos, em 1920, ele foi promovido para sócio da empresa, consagrando seu nome na companhia.

Contudo, em 1923, o futuro guru dos investimentos deixou a Newburger, Henderson and Loeb e, juntamente com Jerry Newman, deu início a parceria Grahanm-Newman em 1926.

Dois anos depois, Graham começou a lecionar investimentos em aulas em Columbia.

Por lá, fez uma parceria com um de seus antigos estudantes, David Dodd, o que resultou em seu primeiro livro publicado em 1934, “Security Analysis”.

Essa obra viria a ser considerada a “bíblia do investidor sério”, sendo aclamada como o livro definitivo do mundo das finanças.

Em 1949, a sua segunda obra com coautoria de Dodd, “O Investidor Inteligente”, seguiria os mesmos passos inovadores do primeiro livro, apresentando o conceito de investimento em valor e “senhor mercado”, com o qual Graham viria a ser mundialmente conhecido posteriormente.

Warren Buffet entrou na vida do megainvestidor em 1950, depois de ter se graduado na mesma universidade do seu mentor.

Buffet aprendeu muito bem as lições de seu mestre e o viria a suceder no mercado financeiro, aplicando seus ensinamentos até hoje.

Benjamin Graham permaneceu como professor da Universidade de Columbia até os 62 anos, vindo a falecer aos 82 anos em 21 de setembro de 1976 de causas naturais.

AS DUAS GRANDES LIÇÕES DE BENJAMIN GRAHAM

Tendo como discípulo Warren Buffet, Benjamin Graham possui uma prova viva de que seus ensinamos são válidos, atemporais e essenciais para que um investidor chegue ao sucesso ao longo prazo.

O próprio Oráculo de Omaha considera Graham o maior investidor de todos os tempos, embora ele atualmente ostente esse título pela maioria dos investidores.

Como um investidor profissional, Graham atingiu grande êxito em suas operações, acumulando grandes fortunas enquanto era vivo e tendo um excelente track record de suas aplicações à frente da Graham-Newman.

Seus ensinamos ficaram concentrados em seus livros e podem ser basicamente entendidos com base em dois princípios diferentes, mas complementares.

ANÁLISE DE RISCO

Para Graham, é muito importante que o investidor entenda a importância e as implicações do fator risco durante as operações na bolsa de valores.

Uma de suas célebres frases é conhecida por muitos:

“As pessoas não conseguem prever o que irá acontecer no mercado de ações.”

A recomendação do megainvestidor é que as pessoas sempre esperem a volatilidade nos seus portfólios, mas que não enxerguem isso como algo necessariamente negativo.

E é aí que entra o conceito de margem de segurança, que basicamente é a ideia de o investidor fazer uma análise de ações bastante conservadora e optar por investir naquelas que estão realmente baratas sob a ótica da análise.

O motivo?

É simples: ao comprarmos as empresas mais baratas (no resultado de uma análise criteriosa), elas terão menos espaço para se desvalorizar muito.

E mais: a volatilidade do mercado pode servir, inclusive, para nos apresentar boas oportunidades de investir em excelentes empresas enquanto elas estão baratas.

BENJAMIN GRAHAM E A IMPORTÂNCIA DA DIVERSIFICAÇÃO

Mas a visão e o conhecimento do conceito de “Risco”, de Graham, não se limitava à ideia do investimento em valor:

Ele era, também, um grande defensor da diversificação de investimentos.

A dica de “não colocar todos os ovos em uma cesta” também pode ser extraída a partir desse ensinamento.

Outra frase clássica de Graham ajuda a reforçar a análise de risco:

“O valor presente de uma ação depende dos lucros e dividendos futuros, que são aspectos que nunca ninguém poderá saber com certeza.”

Para entender ainda melhor esse conceito, Graham apresenta uma alegoria que ilustra o que a análise de risco (e a flutuação do mercado) quer dizer.

CONHEÇA O “SENHOR MERCADO”

Imagine que você é o dono de um grande negócio e tem como sócio o Sr. Mercado.

Todos os dias o Sr. Mercado oferece uma quantia para comprar a sua parte do negócio.

Às vezes, o Sr. Mercado está otimista com relação ao futuro e oferece uma grande quantia pela sua metade do empreendimento.

Em outras ocasiões, entretanto, o Sr. Mercado está pessimista e com expectativas baixas, o que acaba refletindo na precificação do negócio por parte de sua oferta.

O investidor está sempre livre para aceitar a negociação ou ignorá-lo completamente.

Porém, ele precisa saber que, se não aceitar a oferta, o Sr. Mercado estará de volta para negociar um outro preço pela sua metade do negócio.

O que essa alegoria tem a nos ensinar?

Que, no final das contas, o investimento em ações pressupõe volatilidade.

Um investidor inteligente vê os momentos de estresse da bolsa de valores (o vai e volta do Sr. Mercado) como a oportunidade perfeita para ir às compras.

A lição principal é a de que o mercado não pode ditar as nossas decisões no de investimento.

A volatilidade, especialmente os movimentos bruscos para cima ou para baixo, podem acabar gerando decisões erroneamente amparadas por emoções, o que pode ser fatal para uma carteira de investimentos.

O raciocínio por trás da estratégia de Graham é de amparar as decisões apenas em preceitos racionais e fatos.

E isso, por sua vez, acaba sendo exatamente o mesmo preceito da estratégia de alocação de ativos, que muito tratamos por aqui.

Não se deixar levar pelo vai e vem do Sr. Mercado e a volatilidade da bolsa de valores.

Devemos apenas comprar quando o preço oferecido vai de encontro com o valor que estimamos, o que nos leva ao segundo ensinamento mais importante de Benjamin Graham.

INVESTIMENTO EM VALOR

Graham deu dicas preciosas para os investidores de sua época.

Porém, os ensinamentos permanecem válidos até hoje.

Para dar início a explicação do conceito de investimento em valor, é preciso antes fazer uma distinção que o megainvestidor deixou muito clara em suas obras: a diferença entre investidor e especulador.

Eu já falei sobre especulação financeira aqui no Clube do Valor, mas vale a pena retomar o assunto com o objetivo de explanar o tema:

De acordo com Benjamin Graham, nem todas as pessoas que operam na bolsa de valores são efetivamente investidores.

Mas qual é a diferença entre um investidor e um especulador?

Simples: o investidor, ao comprar uma ação, se considera um sócio da empresa na qual está colocando seu dinheiro.

O especulador, por outro lado, vê os papéis sem um valor intrínseco e apenas entende o seu preço pelo montante que as pessoas estão dispostas a pagar por eles.

Outras duas frases clássicas de Graham deixam claro seu posicionamento:

“Uma operação de investimento é aquela que, por meio da análise, promete segurança para o principal e um retorno adequado. As operações que não vão ao encontro destas exigências são especulativas.”

E:

“Não tenho a menor dúvida de que nove em cada dez pessoas que possuem contas de opções em corretoras são especuladores. Minha única desavença com esse quadro é que todos eles foram estimulados a acreditar que são investidores, o que não é verdade.”

Essa é uma distinção muito importante e um dos primeiros passos antes de fazer seu dinheiro trabalhar para você.

Se não tomar o devido cuidado, vagando sem rumo pelo mercado, certamente acabará realizando operações especulativas achando que está investindo.

Vou trazer aqui novamente as três principais diferenças que acredito existir entre os especuladores e investidores:

  • Os especuladores não estão interessados em manter seus ativos por um longo período. Eles focam no curto prazo.
  • Os especuladores têm como motivação principal o potencial de lucro, nem que isso signifique arriscar todo o capital empregado.
  • Os especuladores adquirem algum ativo simplesmente apostando que ele irá se valorizar porque alguém pagará mais caro. Eles nem sempre realizam uma “análise profunda”, tampouco enxergam empresas por trás de ações, imóveis por trás de fundos imobiliários, e aí por diante.

Eis, portanto, a definição definitiva de especulação financeira:

“A especulação é uma operação de curto prazo, com foco no preço do ativo especulado em detrimento aos seus fundamentos, e com o objetivo de gerar um resultado muito superior ao do mercado, assumindo riscos que podem comprometer todo o capital aplicado.”

Porém, vale ressaltar que a especulação não é necessariamente algo ruim para a economia.

A presença de especuladores é o que dá liquidez ao mercado, aumentado a facilidade com que você pode transformar o seu dinheiro em algum outro ativo e vice-versa.

Com essa distinção em mente, podemos entender o que o investimento em valor proposto por Graham quer nos ensinar.

O megainvestidor acredita que o proprietário de uma ação deve enxergá-la como algo que realmente lhe confere a posse de uma parte da empresa.

E isso é o que de fato acontece quando se detém um papel de uma companhia listada na bolsa.

E é esse o primeiro ponto que eu gosto de tratar quando falo desse assunto:

Com essa perspectiva em mente, o investidor não deve ficar muito preocupado com as flutuações do preço das ações.

No curto prazo, o mercado se comporta de maneira a afugentar os “investidores” (ou atraí-los para uma armadilha).

Porém, no longo prazo, o investimento se mostra uma máquina que considera o valor da ação, que é impulsionado por critérios como a situação financeira da empresa e sua perspectiva de crescimento.

CONCLUSÃO

Benjamin Graham considera que o investimento mais inteligente acontece quando ele é realizado de forma mais eficiente.

É por isso que o investimento em valor faz todo sentido para essa estratégia.

Ele cria inteligência sobre o simples ato de comprar ações, transformando algo que muitos consideram apenas perigoso (por isso ele também sugere a análise de risco) em algo que pode ser extremamente lucrativo no longo prazo.

Não há como negar a contribuição histórica que Benjamin Graham deixou no universo das finanças.

Por isso eu recomendo fortemente a leitura de seus livros, “Security Analysis” e “The inteligent Investor” (“O Investidor Inteligente”, no Brasil).

Essas são obras clássicas e praticamente obrigatórias para quem quer se aprofundar no universo dos investimentos, mesmo que você seja avesso a ideia de se aventurar na renda variável.

Como recomendação, gostaria de deixar sugerido o artigo no qual eu falei sobre Warren Buffet e a sua genialidade de ir contra o senso comum.

Esse é um artigo que mostra que o discípulo aprendeu muito bem os ensinamentos do mestre.

Também recomendo o meu texto com os 12 livros sobre educação financeira e finanças pessoais que você precisa ler.

Essa lista bem que poderia conter uma das obras de Benjamin Graham, o que me convida a (talvez) fazer uma segunda parte desse artigo.

O que você acha?

E o que você achou dessa breve história sobre um dos maiores investidores de todos os tempos?

Deixe a sua colaboração no campo dos comentários!

Eu vou ficando por aqui!

Forte abraço,

Ramiro Gomes Ferreira.

Benjamin Graham: a História do Criador do Investimento em Valor, Autor da “Bíblia dos Investimentos” e Mentor de Warren Buffett
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