Nunca foi tão fácil investir o seu dinheiro na China!

Isso, graças à XP Investimentos que, democratizando os investimentos na Bolsa, lançou recentemente o ETF XINA11, que replica o índice de ações chinesas!

É uma iniciativa muito legal que está dando muito o que falar.

Porém, aqui no Clube do Valor nós não investimos nesse ETF, nem na China em geral.

Mas… por quê?

É disso que vou falar neste artigo!

Vou explicar mais sobre o funcionamento desse Fundo de Índice, e sobre os 3 fatores que nos fazem evitar esse investimento!

E, lembrando, falamos isso como uma Gestora Profissional de Investimentos que tem o dever de deixar claras suas decisões de investimento! 

Não somos uma casa de análise e isso não é uma recomendação!

Mas, sem mais delongas, vamos direto aprender mais sobre o XINA11!

O QUE É O XINA11 E COMO ELE FUNCIONA?

Para começar a explicar sobre por que não investimos no XINA11, primeiramente é importante que você entenda o que é o XINA11!

Basicamente, esse é um ETF, a sigla para Exchange Traded Fund, ou, em português, um Fundo de Índice!

Ou seja, ele é um Fundo de gestão passiva, o que significa que o seu gestor não escolhe os ativos nos quais investe com base em sua estratégia, mas sim buscando replicar um índice!

E o índice que o XINA11 replica é o MSCI China, que representa as ações chinesas, mais ou menos como o Ibovespa faz com as brasileiras.

Portanto, ele é basicamente uma forma de investir rapidamente e de forma diversificada em ações de diversos setores diferentes da economia chinesa.

Dessa forma, o seu retorno, em reais, será o mesmo do MSCI China. Se o índice sobe 1%, o ETF sobre 1%. Se o índice cai 0,5%, o ETF também cai 0,5%.

Por ser um Fundo de gestão passiva, a sua taxa de administração é bem baixa – na faixa de 0,3% ao ano.

Porém, como o XINA11 não investe diretamente nas ações chinesas, e sim em outro Fundo que, por sua vez, compra os papéis de empresas da China, essa taxa de administração é duplicada.

Ou seja, na prática, você paga os 0,3% da administração do XINA11, e os 0,59% da administração desse outro Fundo, o que leva o total a quase 0,9% – ainda longe de ser a taxa mais alta do mundo.

Além disso, cabe ressaltar que esse ETF, como todos os outros ETFs brasileiros, não paga dividendos – mas você não é penalizado por isso.

Isso porque o ETF ainda recebe dividendos, mas em vez de repassá-los ao cotista, apenas os reinveste em mais ações, aumentando o valor das cotas.

É um funcionamento muito semelhante ao do IVVB11!

Mas como você viu pelo título deste artigo, diferentemente do IVVB11, nós não investimos no XINA11.

A seguir, vou explicar os 3 fatores que nos fizeram tomar essa decisão, e para os quais você precisa atentar também! Continue lendo para descobrir!

FATOR #1: BOLSA NÃO É PIB

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Certamente o primeiro fator que faz muita gente se interessar pelo XINA11 é o crescimento econômico da China nas últimas décadas.

E não entenda mal: o crescimento do PIB da China é inegável, e parece que nada vai parar a crescente do país. 

Dá uma olhada no gráfico abaixo, que mostra a evolução do PIB da China desde meados dos anos 70:

E todo esse crescimento econômico significa que as ações estão crescendo da mesma forma, não é?

Não, não significa.

Eu preciso te lembrar aqui que… Bolsa não é PIB.

Sim, é isso mesmo que você leu: Bolsa de Valores NÃO SE MOVE junto com o PIB

Não é porque um país se desenvolve bastante, ou rapidamente, que o mercado de ações acompanha o movimento.

E eu entendo totalmente se você quiser discordar do Clube do Valor, mas não somos nós que descobrimos isso. Inclusive, diversos estudos corroboram esse fato.

Não apenas vemos Jeremy Siegel, autor do livro Investindo em Ações no Longo Prazo, argumentando que PIB não acompanha o mercado de ações…

Mas também vários estudos da Bloomberg, Business Insider, Bank of New York, MSCI e de Gus Sauter, da Vanguard.

Inclusive, neste último artigo de Gus Sauter, ele fala que:

“Quando investimos nós compramos empresas, e não países. Mesmo se a China estiver crescendo a uma taxa muito alta, isso não significa que as empresas chinesas irão se valorizar bastante também”

Por isso, esse crescimento da China não é algo que nos empolga tanto quanto outros investidores, do ponto de vista das ações em si.

E essa noção de que o crescimento do PIB chinês não tem necessariamente a ver com o crescimento de suas ações nos leva diretamente ao nosso segundo fator de decisão.

Dá uma olhada:

FATOR #2: A RENTABILIDADE NÃO É TÃO BOA

O que é renda variável?

Antes de qualquer outra coisa, quero te perguntar: já pensou em multiplicar seu dinheiro por 40 vezes em 24 anos?

É isso que teria acontecido se você tivesse investido em ações chinesas (em reais) em 1996 e as mantido até hoje!

Parece excelente, não é?

E é mesmo uma boa rentabilidade. Mas poderia ter sido muito maior.

Se você tivesse, no mesmo dia de 1996, investido em ações norte-americanas, também em reais, teria visto seu patrimônio aumentar em 49 vezes.

E se tivesse investido em ações brasileiras, esse crescimento teria sido na magnitude de 50 vezes!

Isso sem entrar em nenhum modelo de alocação que rendeu um pouco mais, como a nossa Estratégia Bull Bear, que teria multiplicado por 68 o seu investimento inicial nesse mesmo período.

O desempenho das ações chinesas começa a parecer menor quando colocado nessa comparação, não?

Dá uma olhada no gráfico abaixo:

Ele mostra a evolução de um investimento inicial de R$ 1.000 em cada classe: ações brasileiras, ações norte-americanas em reais, ações chinesas em reais, e 100% CDI, que serve para comparar o que seria a renda fixa por aqui.

Perceba como não apenas as ações chinesas vencem apenas a renda fixa em termos de performance, como também se movem de forma muito parecida com as ações americanas.

Em outras palavras, tem uma alta correlação com as ações americanas, mas não entregam uma performance tão boa no longo prazo.

Para os matemáticos de plantão: calculamos a correlação de Pearson, que vai de -1 a 1, e deu 0,69, o que é considerado relevantemente alta.

Ou seja, quando as ações chinesas sobem, normalmente é porque as ações norte-americanas estão subindo também – mas mais que as chinesas.

Por isso, não faria tanto sentido investir em ações da China em vez de ações dos EUA, não é?

Novamente, Bolsa e PIB não são correlacionados.

É inegável que a China cresceu de forma desenfreada nos últimos 20 anos, mas uma coisa é o “país China”, e outra coisa são as empresas.

Quando investe na Bolsa, você compra as empresas, e não o país. Mas… será que você realmente compra as empresas?

Dá uma olhada no fator 3 da nossa análise que quase parece mentira, mas é 100% verdade.

FATOR #3: VOCÊ NÃO ESTÁ INVESTINDO EM AÇÕES DA CHINA DE VERDADE

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Parece teoria da conspiração, e eu tenho certeza que você não esperava, mas é verdade.

Quando você investe em ações da China, você não está comprando ações de empresas chinesas de verdade.

Primeiramente, precisamos lembrar que a China está, desde 1949, sob o comando do PCC: o Partido Comunista Chinês.

Uma das leis imposta por ele, que diz respeito às empresas, é que empresas estratégicas NÃO PODEM ser propriedade de pessoas que não são chinesas.

Isso inclui, por exemplo, empresas de telecomunicações, que incluem empresas de internet, como Tencent e Alibaba.

E também caem nesse critério empresas dos setores financeiro, de energia, de agricultura, de transportes, e de educação… quase todos os setores relevantes, não é mesmo?

Existem vários artigos científicos alertando sobre essa questão, inclusive da SEC, a Securities and Exchange Comission, a “CVM americana”, que também alertou para essa questão em novembro de 2020.

Mas você pode estar pensando: “E a ação BABA está listada na bolsa de Nova York, por exemplo, que por aqui temos como o BDR BABA34? Isso não são ações da empresa?”.

Não, não são.

Quando uma pessoa compra uma ação BABA, por exemplo, o que ela compra é uma ação de uma empresa listada nas Ilhas Cayman.

Mais especificamente, o investidor adquire uma ADR (American Depositary Receipt) de uma VIE (Variable Interest Entity, ou entidade de interesse variável).

Essa VIE, das Ilhas Cayman, não tem propriedade alguma da Alibaba real.

O que essa VIE tem é um contrato contendo termos que fazem com que a Alibaba distribua parte de seus lucros para ela, que emula a ação da empresa.

No caso, esse contrato pode ser facilmente anulado a qualquer momento pelo governo chinês, que pode alegar que alguma lei ou regulamentação foi quebrada.

E isso não somos nós falando, mas sim uma preocupação da SEC, alertando os investidores americanos sobre o assunto.

Eles ainda mencionam que o investidor que compra ações de VIEs ao invés de empresas “reais” também corre o risco de ficar desamparado caso venha acontecer algum problema.

Pense assim: caso você invista em uma empresa brasileira e tenha algum problema, você ainda está protegido pela legislação daqui.

Mesma coisa investidores americanos que compram empresas americanas.

Agora, as VIEs operam em estruturas legais bastante distintas, em que pode ser quase impossível alguma ação de retratação, por exemplo.

Por isso, não é a forma mais “segura” de se investir em uma economia forte…

Mas como será que é possível investir no exterior da forma certa?

Continue lendo para entender!

COMO INVESTIR NO EXTERIOR DA FORMA CERTA?

Onde os ricos investem

Eu não quero, de forma nenhuma, que esse artigo te desanime e te faça desistir da ideia de investir parte de seu patrimônio no exterior!

Investir em uma economia forte é algo que traz estabilidade, diversificação e, possivelmente, ganhos maiores no longo prazo!

É por isso que investir parte de seu patrimônio nos EUA é uma parte fundamental da nossa Estratégia Bull Bear, que explico melhor nesse artigo!

Esse também é o método principal que ensinamos no nosso curso introdutório à Bolsa, o Minha Primeira Carteira de Ações!

Se você quer começar a investir em ações do Brasil e do exterior, mesmo com pouco dinheiro e sem conhecimento prévio, esse curso é para você!

Você pode conhecê-lo melhor apertando aqui!

E, com essa recomendação, me despeço por hoje!

Bons investimentos e um forte abraço!

Antonio Stein