A escolha de ações pode seguir diversas estratégias, de acordo com os objetivos de retorno, a tolerância ao risco e a capacidade de aporte. Para os investidores que desejarem encontrar oportunidades diferenciadas, utilizar o deep value investing pode ser uma alternativa.

Essa abordagem é uma evolução do consagrado método value investing e foca em ações com características específicas de preço e situação de mercado. Ao conhecer a estratégia, você poderá adotá-la de acordo com seus objetivos e com as características da sua carteira.

Na sequência, apresentamos o deep value investing e o que você precisa saber para conhecer seu funcionamento. Continue a leitura e confira!

O que é o deep value investing?

Deep value investing o que é e como funciona essa estratégia

Uma ação atraente pode ser aquela que apresenta grande potencial de crescimento nos próximos anos ou a de uma empresa que já é consolidada e tem alta capitalização. Tudo depende dos objetivos do investidor.

Em ambos os casos, é possível encontrar boas oportunidades com base no preço de negociação dos papéis. Esse é o objetivo da estratégia deep value investing, que busca selecionar ações descontadas e que, por isso, representam oportunidades de valorização para os investidores. 

Ela guia a escolha de ações. Em vez de buscar papéis populares no mercado ou focar apenas na qualidade da empresa, por exemplo, é possível fazer análises para encontrar o valor profundo da ação e comparar com o preço de mercado.

Essa abordagem foca em escolher as ações mais baratas. Ou seja, que sejam negociadas a um preço abaixo do que realmente valem. Para a seleção, é feita uma avaliação do preço em relação ao valor da empresa em busca de uma diferença que seja favorável ao investidor.

Uma das principais vantagens do método é a capacidade de gerar, potencialmente, ganhos interessantes. Ele também se caracteriza por oferecer uma margem de segurança em relação à liquidação da empresa.

Como funciona essa estratégia de investimento?

Investir em valor significa buscar ativos que entreguem um potencial de desempenho maior, independentemente se o preço de negociação atual for menor. Logo, o value investing funciona com base em ativos que têm maior valor, mas que são negociados por preços menores.

No investimento em ações, como você viu, significa buscar os papéis que são descontados. Isso representa encontrar alternativas de ações cujo valor de mercado seja menor que o seu valor de liquidação, descontando as obrigações financeiras.

Portanto, a ideia é aportar em ações cuja cotação seja menor que o montante que seria recebido caso a companhia liquidasse suas operações no presente. Mais que oferecer potencial de valorização, essa estratégia tem como característica a chamada margem de segurança.

Ela existe devido à diferença positiva entre valor de liquidação e de mercado. Se fosse o contrário, significaria que a empresa é vendida por um preço acima do que seus ativos valem, o que levaria a perdas em caso de liquidação.

Sendo assim, o deep value investing funciona a partir dessa avaliação das cifras do negócio. Ele permite encontrar alternativas que apresentem esse nível de distorção nos preços, de modo que se mostre benéfico ao investidor. 

Qual a diferença do deep value investing para o value investing?

Diante das características do deep value investing, muitos investidores confundem essa estratégia com o value investing. Apesar dos nomes semelhantes, eles não são sinônimos — e se diferenciam pela forma como são executados.

O value investing é a estratégia original, que foi desenvolvida por Benjamin Graham e ganhou força entre as décadas de 1940 e 1950. Nessa época, o então investidor iniciante Warren Buffett foi aluno de Graham e passou a aplicar o value investing como estratégia.

Isso ajudou a popularizar essa maneira de escolher papéis para fazer o investimento em ações e começou a atrair mais pessoas. Com o passar do tempo, o value investing também passou por aprimoramentos, o que resultou no value deep investing.

Portanto, essa segunda alternativa é uma espécie de adaptação da teoria original, o que define uma de suas diferenças. Outra distinção está no fato de o deep value investing ser focado na busca por ações muito mais descontadas que a abordagem original.

Na prática, o deep value investing não se preocupa tanto com a possível valorização dos papéis, que podem ou não alcançar valores maiores. A prioridade está na margem de segurança, que ajuda a proteger o dinheiro e, em caso de liquidação da companhia, permitirá que o investidor lucre.

Como utilizar essa técnica para selecionar investimentos?

Deep value investing o que é e como funciona essa estratégia

Após compreender quais são os aspectos principais sobre os investimentos, é necessário saber como colocar essa estratégia em prática. A escolha de ações altamente descontadas requer atenção e foco em características que ajudem a encontrar oportunidades verdadeiras.

Por isso, veja quais são dicas essenciais para investir em ações com ajuda do deep value investing!

Avalie a situação atual da empresa

Antes de realizar uma análise de indicadores é preciso saber em qual situação a empresa se encontra. Afinal, uma ação pode estar descontada por diversos motivos.

Um deles é a perda ou a falta de fundamentos do negócio. Se a companhia estiver em um cenário desafiador ou desvantajoso ela pode não ser um bom investimento.

Mesmo que o objetivo não esteja no desempenho em longo prazo, é preciso se lembrar de que o valor de liquidação pode não corresponder a tudo que será efetivamente obtido. Sendo assim, pode ser mais interessante buscar empresas em uma condição mais favorável.

Por isso, é preciso avaliar a situação do negócio em termos de lucro, capital de giro, patrimônio e endividamento. Assim, é possível deixar de fora as que apresentem resultado recente negativo, por exemplo.

Essa é uma etapa importante para quem deseja encontrar uma empresa com potencial de desenvolvimento e que tenha as condições para obter uma valorização na cotação. Com isso, já é possível descartar determinadas empresas.

Análise a capacidade de retomada

Mesmo que o objetivo seja buscar empreendimentos que geram resultados maiores que o preço de negociação no mercado, pode acontecer de a empresa passar por determinado problema. Muitas vezes, o desconto dos papéis está atrelado a uma dificuldade ou a uma questão do setor.

Se for esse o caso, é fundamental analisar qual é a capacidade de retomada que a empresa oferece. Isso aumenta as chances de o negócio permanecer no mercado no longo prazo e pode ajudar na obtenção de valorização.

Conheça o nível de liquidez dos papéis

Antes de comprar ações com base no deep value investing, também é importante entender qual é o nível de liquidez dos papéis. Isso pode ser medido pelo volume financeiro que é negociado todos os dias e que indica o nível de interesse dos investidores no ativo em questão.

A busca por uma liquidez maior é interessante para caso você queira se desfazer do papel no curto ou no médio prazo. Com mais interessados, há mais chances de conseguir fazer uma boa venda.

A liquidez elevada também pode ser um sinal indireto da qualidade dos papéis e da situação da empresa. Caso o volume se torne ainda maior, pode acontecer de a força compradora se consolidar e, assim, levar a um aumento gradual dos preços.

Calcule o earning yield

Um dos múltiplos mais famosos da análise fundamentalista é o EV/Ebit. Ele é calculado com o enterprise value (dado pelo valor de mercado somado à dívida líquida) sobre o resultado operacional (ganhos antes de impostos e juros).

Para aplicar o deep value investing, é possível inverter a ordem, ou seja, usar o Ebit sobre EV. O múltiplo passa a ser conhecido como earning yield (EY). No geral, um resultado maior de earning yield é indicativo de uma empresa com ações descontadas e que podem ser oportunidades.

Se você quiser saber como calcular o deep value investing, esse é um múltiplo que fornece informações relevantes e que pode ajudar na priorização das escolhas entre os papéis.

Porém, é importante ter atenção para unir essa análise aos demais passos. Do contrário, você corre o risco de encontrar uma empresa com essa métrica elevada, mas que também não apresenta uma situação favorável quanto ao lucro.

Analise a relação entre valor de mercado e de liquidação

Para colocar o deep value investing em prática, você também pode analisar dois números importantes: o valor de mercado e o de liquidação

O valor de mercado é dado pelo total de ações multiplicado pela cotação dos papéis no momento de análise. Já o valor de liquidação inclui todos os ativos da empresa, descontando suas obrigações, como dívidas de curto prazo.

A intenção é compreender como esses números se relacionam: se o valor de liquidação for maior que o de mercado, há a chamada margem de segurança do deep value investing. Também significa que a empresa tem ações negociadas de modo descontado, que é um dos objetivos da estratégia.

Por outro lado, um valor de mercado maior que o de capitalização indica ações valorizadas acima do que a companhia detém.

Diversifique a carteira de ações

Ainda que seja atraente a relação entre o valor de liquidação e o valor de mercado de uma ação, o ideal é não focar todos os investimentos em poucos papéis. Com a diversificação, é possível diluir parte dos riscos e aumentar o potencial de alcance de resultados.

Sendo assim, ao investir em ações por meio dessa estratégia vale a pena buscar empresas de setores diferentes e com características distintas. Bons gestores de fundos costumam procurar dezenas de instituições com essas características, montando um portfólio robusto.

O mais indicado é que todos os passos que você viu até aqui sejam utilizados de modo integrado. Assim, há como aumentar as chances de identificar as oportunidades que podem ser adequadas para sua carteira segundo a estratégia.

Quando adotar o deep value investing?

Deep value investing o que é e como funciona essa estratégia

Antes de adotar os passos do deep value investing é importante entender quando ele pode ser utilizado.

Para começar, é preciso pensar em seu perfil de investidor, pois a estratégia costuma exigir uma tolerância moderada ou elevada ao risco, por ser da renda variável. Então ela é geralmente mais adequada a investidores moderados ou arrojados.

Também é necessário considerar seus objetivos financeiros. Se a sua intenção é obter dividendos ao longo do tempo, por exemplo, essa pode não ser a estratégia adequada. Afinal, ela não foca na distribuição de proventos.

Por outro lado, pode ser indicada para a sua carteira caso o objetivo seja fazer bons negócios no mercado de ações, com compras baratas e abaixo do que os ativos valem. Como vimos, o foco dela está em obter a margem de segurança, que faz a estratégia ser atraente.

Em relação aos objetivos, também vale destacar que o foco deve estar no longo prazo. Ainda que o objetivo não seja, necessariamente, potencializar o recebimento de proventos, o desconto das ações pode levar tempo para ser revertido. Portanto, vale a pena investir com um horizonte mais distante.

Para quem busca menos risco, o deep value investing pode ser atrativo. Isso porque, em momentos de queda, ações descontadas podem sofrer menos impactos do que aquelas que estavam valorizadas. Além disso, a recuperação pode ser mais rápida nas ações de deep value.

Qual a relação entre o deep value investing e o Clube do Valor?

Se você se interessou pelo deep value investing deve saber como aplicá-lo no dia a dia. Mas não precisa fazer isso por conta própria. No Clube do Valor, nosso time de gestores utiliza essa estratégia como direcionamento para escolher ações para o portfólio dos fundos.

Assim, ao investir em um fundo de ações, por exemplo, você já sabe que uma das estratégias aplicadas pode ser essa. Isso oferece praticidade para investidores que não têm conhecimento ou tempo para fazer as análises por conta própria.

Ela também é usada para encontrar oportunidades de alocação individual de acordo com os objetivos de cada investidor. Além disso, há o monitoramento contínuo, que ajuda a concluir se a alternativa identificada realmente é capaz de oferecer os resultados esperados.

Portanto, contar com o Clube de Valor é uma forma de ter uma carteira que aproveita as características dessa abordagem a favor dos seus resultados. Ao conhecê-la, você pode ter um entendimento mais completo sobre o direcionamento das decisões dos gestores.

Como você viu, o deep value investing é uma estratégia para investir em ações que são negociadas por um preço menor que o resultado que elas geram. No Clube do Valor, essa estratégia é amplamente usada na composição de portfólio, o que pode levar a resultados melhores.Para ter apoio na hora de montar e cuidar da sua carteira, conheça nossos serviços de gestão no Clube do Valor!