Títulos Públicos: O Que São, Quanto Rendem e Por Que Investir Neles

titulos publicos

Você por acaso já parou para se questionar o que são títulos públicos?

Cada vez mais eu recebo esta pergunta.

Você, muito provavelmente, já deve ter ouvido alguém defender o investimento em títulos governamentais em alguma roda de amigos, almoço em família ou bate-papo no trabalho, não é?

Pergunto, porque o investimento nesta classe de ativos está cada vez mais em pauta.

Afinal, há muitos anos os juros no Brasil não estavam tão altos quanto hoje. E os juros altos refletem em maiores retornos destes títulos.

Se você já leu a página em que eu trato de como investir dinheiro, deve saber que eu defendo o investimento em ativos cujo funcionamento você entenda.

E, como esta classe de ativos gera muitos questionamentos, criei este post para acabar com qualquer dúvida que você possa ter sobre títulos públicos.

É claro, não vou me limitar a apenas explicar o que são títulos públicos.

Continue lendo para aprender, também:

  • Por que investir em títulos do governo
  • Quais são os principais títulos públicos federais
  • Qual é a rentabilidade de cada título
  • Como comprar títulos públicos
  • Como funciona a tributação desta classe de ativos

E muito mais!

O Que São Títulos Públicos

o que sao titulos publicos

Se você é um leitor frequente do Clube do Valor, provavelmente já sabe que é impossível manter suas finanças pessoais organizadas se você gastar mais dinheiro do que ganha.

Afinal, qualquer pessoa que gasta mais do que ganha precisará, em algum momento, recorrer a um empréstimo, contraindo uma dívida.

Sobre a dívida contraída, há a incidência de juros, que remuneram o banco que concede o empréstimo.

Com o governo, o funcionamento é o mesmo.

Se ele gasta mais do que arrecada, precisa contrair uma dívida para sanar este descompasso entre receitas e despesas.

Só que, em vez de recorrer a um banco, o governo emite títulos que prometem um pagamento de juros para as pessoas interessadas em emprestar seu dinheiro (investir).

O investidor, no outro lado da operação, adquire os títulos (emprestando seu dinheiro imediatamente ao governo) para, no futuro, receber o valor investido + juros.

Cappiche?

Por Que Investir em Títulos Públicos

porque investir em titulos publicos

O principal motivo pelo qual você deve pelo menos considerar investir em títulos públicos é que este é o investimento menos arriscado do Brasil.

Isso mesmo.

Não existe nenhuma alternativa de investimento, no Brasil, que seja menos arriscada do que o investimento nos títulos do tesouro nacional.

O que existe é um grande mito de que a caderneta de poupança de qualquer “grande banco” é mais segura.

Jamais acredite nesta mentira!

Além de serem mais seguros, estes títulos ainda rendem muito mais do que a poupança. Aliás, o André Fogaça, do Guiainvest, tratou exatamente deste assunto neste excelente post.

Este é um caso claro onde é possível de se conseguir um maior retorno, sem assumir um maior risco 🙂

Agora, talvez você questionando…

“Mas, com tantos casos de corrupção e tanta incompetência do governo, por que investir neles é mais seguro do que investir em algum banco?”

Não quero entrar muito na questão política, porque prefiro manter o caráter de educação financeira aqui, no Clube do Valor.

Mas, em suma: é o próprio governo (emissor do título) quem “manda” no país.

Isso quer dizer que, em períodos de crise, como o atual, ele procura melhorar seu resultado, seja cortando despesas, seja aumentando receitas (através de aumento dos impostos).

Além disso, apenas o Banco Central Brasileiro tem o poder de imprimir mais moeda para pagar suas contas e, em última análise, é este o caminho que ele irá tomar.

Porque o funcionamento de todo o sistema financeiro nacional depende de um governo que cumpra seus compromissos.

Se, por acaso, o governo resolvesse dar um calote na dívida interna (isto é, suspender o pagamento dos títulos aos investidores), um verdadeiro caos se instalaria no país.

Por conta desta característica, qualquer título público federal é considerado como “investimento livre de risco“, como o pessoal da Vérios explica muito bem neste artigo.

Como se pode concluir, os títulos governamentais são mais rentáveis do que alguns investimentos populares e menos arriscados do que qualquer outro investimento no Brasil.

Mas há ainda um terceiro benefício: através dos títulos governamentais você consegue, também, diversificar sua carteira de investimentos.

Seja atrelando uma parte de sua carteira à variação da inflação, a uma taxa fixa de juros ou à taxa básica de juros da economia (SELIC).

Explico todas estas possibilidades ainda neste artigo, mais adiante. 🙂

Agora, antes de você tentar entender como comprar títulos públicos, você precisa entender como funcionam os principais títulos federais.

Pensando nisso, criei recentemente um completo vídeo onde explico o funcionamento dos principais títulos públicos do tesouro direto.

Assista abaixo:

Caso você prefira continuar a leitura, não se preocupe.

Os mesmos títulos estão bem explicados nos trechos que seguem!

Vamos lá!

LTN (Tesouro Prefixado)

ltn tesouro prefixado

LTN quer dizer “letra do tesouro nacional”.

Este é um título de fácil entendimento e muito popular entre os investidores.

Ele é um título prefixado, o que significa dizer que você sabe exatamente qual rentabilidade irá auferir ao longo do tempo, no momento da compra.

No momento em que escrevo este artigo, a LTN de vencimento em 01/01/2018 rende, ao investidor, 16,13% ao ano, antes de descontar algumas taxas (veremos em breve…).

Isso quer dizer que, se você adquirir este título hoje e o mantiver por cerca de dois anos (até o vencimento), receberá de volta o valor investido + cerca de 34,9% de juros (dois anos de 16,13% em sequência), sem considerar taxas e imposto de renda.

É muito importante ressaltar que este título pode oscilar de preço ao longo deste período.

Isto quer dizer que, se você comprar o título hoje e for checar seu preço em alguns dias, pode perceber certo prejuízo (como, também, ver um lucro maior do que o da taxa contratada).

A oscilação de preços é uma característica comum aos títulos prefixados.

Essas oscilações ocorrem por conta de diversos fatores macroeconômicos e de oferta e demanda, e afetam principalmente os títulos de vencimentos mais longos (que, no jargão do mercado, são mais “voláteis”).

Em suma, quanto maior for a taxa paga, menor será o valor do título hoje.

Se você investir numa LTN que paga 16% ao ano e esta taxa subir para, digamos, 18%, você terá certo prejuízo no curto prazo, se vender seu título.

Agora, se você investir neste título com o intuito de mantê-lo até o vencimento, não se preocupe. Isso não afeta, em nada, a rentabilidade contratada no momento da aquisição do título.

Por causa destas oscilações de curto prazo, eu não recomendo que a sua reserva financeira seja investida neste tipo de título.

ATUALIZAÇÃO: Criei um guia super completo sobre o Tesouro Prefixado (LTN), onde você aprenderá absolutamente tudo que você precisa saber sobre esse título. Você pode ler este guia clicando neste link.

LFT (Tesouro Selic)

lft tesouro selic

LFT significa “letra financeira do tesouro”.

Diferentemente da LTN, este é um título pós-fixado.

Ou seja, você não sabe exatamente o valor que irá receber até o vencimento.

Como assim, não saberei o que irei receber?

Fique tranquilo. Isso não significa que o retorno será decidido ao acaso e nem que o rendimento será baixo.

Esta é uma característica deste título, porque ele reflete a rentabilidade diária da taxa Selic.

E é impossível de saber-se ao certo qual será a taxa Selic média entre hoje e o vencimento do título.

Enquanto escrevo este artigo, por exemplo, a taxa Selic referencial é de 14,15% ao ano.

Se ela se mantiver neste patamar por um ano e você investir neste título hoje, receberá exatamente 14,15% de juros sobre o valor aplicado.

Se, ao longo do período, a taxa Selic aumentar, seu rendimento será maior.

Agora, se ela cair, ele será menor.

O rendimento deste título é como um “reloginho”: todo o dia rende um pouco, sem apresentar oscilações bruscas (a tal “volatilidade”, que eu citei lá em cima), que nem as LTNs e as NTNs (veja mais abaixo).

Por isso, este é o título público ideal para você investir os valores de sua reserva de emergência.

ATUALIZAÇÃO: Quer saber quando decidir investir numa LTN ou LFT? Então leia este incrível post!

NTN-B (Tesouro IPCA+ Com Juros Semestrais)

ntn b tesouro ipca

Até agora já falei de um título prefixado e de outro pós-fixado.

Agora, apresento um título “híbrido”: a NTN-B (“nota do tesouro nacional, série B”), ou simplesmente o “Tesouro IPCA+ Com Juros Semestrais”.

Chamo-o de “híbrido”, porque ele remunera o investidor pela variação da inflação no período + juros prefixados.

Os juros prefixados, por serem PRÉ fixados, já são conhecidos no momento em que você  adquire (que nem no caso da LTN).

Agora, a variação da inflação ao longo da vigência do título, você só saberá… ao longo da vigência do título.

Por isso, no momento da compra você sabe apenas qual será a rentabilidade real do seu investimento (falo sobre a importância de sempre se pensar em rentabilidade real neste artigo).

No momento em que escrevo, o investidor pode adquirir uma NTN-B com vencimento em 15/08/2020 que paga IPCA + 6,77% de juros ao ano.

Isto quer dizer que, se a inflação acumulada entre a data de hoje e a do vencimento do título for de 50%, quem adquiriu o título hoje receberá esta variação + 6,77% de juros ao ano.

É importante comentar que os juros são pagos duas vezes ao ano, de seis em seis meses.

E esta é a principal diferença deste título para o…

NTN-B PRINCIPAL (Tesouro IPCA+)

ntn b principal

Este é um título quase igual ao explicado acima.

A única diferença é que ele não paga juros semestrais.

O que isso significa? Que a taxa prefixada não é distribuída ao longo do ano para o investidor.

Em contrapartida, ela é reinvestida, gerando o efeito de juros sobre juros, tão importante para você criar uma “bola de neve” de retorno de juros a seu favor.

Por isso, eu defendo que se você quiser atrelar parte de sua carteira diretamente à inflação e não precisar contar com os juros pagos semestralmente para arcar com contas do seu dia-a-dia, invista na NTN-B Principal, e não na NTN-B.

Quer saber muito mais leia agora este completo artigo sobre eles!sobre estes 2 títulos? Então

NTN-F (Tesouro Prefixado com Juros Semestrais)

ntn f

Por fim, apresento a NTN-F.

Este é um título muito semelhante à LTN.

No momento em que você o adquire, sabe exatamente qual será a taxa de juros recebida ao ano, até o vencimento.

A única diferença é que os juros são distribuídos duas vezes por ano, uma a cada seis meses.

Então, é mais recomendável do que a LTN apenas para quem tem interesse em ter este fluxo de caixa semestral garantido.

Conforme comentei ao explicar a diferença entre a NTN-B e a NTN-B Principal, eu prefiro títulos que não distribuem juros, pois estes acabam sendo automaticamente reinvestidos.

Tributação de Títulos Públicos

No Brasil, muitas das regras tributárias costumam ser bem complexas.

No mercado de renda fixa, felizmente, as regras (ainda) são bem simples.

O que existe é basicamente uma tabela de imposto devido, que varia conforme o prazo da aplicação.

Esta tabela é chamada de “tabela regressiva”, porque quanto mais tempo se passa, menor é a incidência do imposto.

tabela regressiva ir

A tabela acima é aplicada tanto para o investimento direto em títulos do governo, quanto para os investimentos através de fundos de investimentos.

A única diferença é que o investimento através de fundos conta com uma peculiaridade: a antecipação de IR semestral, através de um mecanismo chamado “come-cotas”.

No futuro, pretendo tratar deste tema com mais profundidade…

Importante ressaltar: sempre que você for comparar os rendimentos entre estes títulos  e outros títulos de renda fixa que não tenham a incidência de IR (como a caderneta de poupança), você precisa considerar o retorno líquido. Isto é, com o desconto do imposto a ser pago.

Como saber qual será o retorno líquido? Basta apurar o lucro da operação (valor resgatado – valor investido) e multiplicar por 1 – alíquota de imposto.

Por exemplo, se você investiu R$ 1.000,00 numa LFT há 365 e percebe que hoje ela vale R$ 1.140,00, para achar o rendimento líquido você deve multiplicar R$ 140,00 por 0,825 (1 – taxa de imposto).

No caso exemplificado acima, ele seria de R$ 115,50, ou 11,55%.

(i) Investimento Através de Fundos de Renda Fixa

É a forma indireta de se investir em títulos públicos.

Antes de se investir num fundo, é bom entender alguns aspectos importantes, que seguem abaixo:

  • Investimento mínimo: Depende de fundo para fundo e, geralmente, não é inferior a R$ 1.000,00.
  • Taxa de administração: É o valor que o gestor do fundo ganha por administrar os recursos. A rentabilidade do fundo já é apresentada descontando esta taxa. Fique atento a fundos de renda fixa que cobrem taxas superiores a 1% ao ano, porque geralmente eles não valem a pena se comparados à compra de títulos diretamente..
  • Liquidez: Alguns fundos permitem o resgate de cotas todos os dias. Outros, possuem prazos (número de dias) entre a data da solicitação do resgate e a liquidação do resgate na sua conta.
  • Política de investimentos: Antes de decidir investir em algum fundo, converse com o gestor (encarregado pela gestão do fundo). Procure entender qual é a estratégia do fundo, quais títulos eles adquirem, etc. E sempre busque por gestores independentes, que são gestores que não estão ligados a algum banco.

Na minha trajetória no mercado financeiro, fui o responsável pela gestão de um fundo de investimento em Renda Fixa que basicamente adquiria LFTs e aplicava uma estratégia para aumentar um pouco o retorno, mantendo o mesmo perfil de risco.

Este fundo é perfeito para constituir sua reserva de emergência e conta com um investimento mínimo bem reduzido.

Se você tiver alguma dúvida sobre seu funcionamento, me envie um e-mail para conversarmos: [email protected]  😉

(ii) Investimento Através do Tesouro Direto

Como já comentei, o investimento através de fundos é indireto. Ou seja, você adquire um ativo que adquire os títulos públicos.

A outra forma de investimento é através do tesouro direto.

O tesouro direto é uma plataforma criada em 2002 para facilitar o investimento em títulos do governo para as pessoas físicas.

Apesar de já ter mais de uma década de vigência, a plataforma acabou ganhando muita popularidade nos últimos anos apenas, ultrapassando a marca de 500.000 pessoas cadastradas.

Através dela, você pode realizar investimentos em títulos a partir de R$ 30,00.

Abaixo, listo alguns pontos que você deve levar em consideração antes de se investir através do tesouro direto:

  • Investimento mínimo: Conforme já citado, é de R$ 30,00. Bem mais baixo e democrático do que o investimento através de fundos
  • Taxas: A BM&F Bovespa cobra uma taxa de custódia de 0,30% ao ano, obrigatoriamente. Entretanto, para investir no tesouro direto, você precisa estar vinculado (ter uma conta) a uma instituição participante (banco ou corretora). E a maioria das instituições também cobra uma taxa do investidor. Por isso, em muitos casos, o investimento através de um fundo pode render mais. Neste link, você pode ver a lista de instituições inscritas e as taxas cobradas.
  • Liquidez: A liquidez de compra e venda dos títulos públicos através do tesouro direto é diária. Ou seja, você pode vender um título na pela manhã e transferir o dinheiro da sua corretora para sua conta corrente no mesmo dia ou no dia seguinte.

E, se você quiser entrar um pouco mais a fundo nesse assunto, sugiro a leitura deste post, do blog “O Primo Rico”.

Conclusão

titulos publicos federais

Para quem nunca foi apresentado ao mercado de títulos públicos, ele pode parecer bem complexo.

Tentei ser o mais didático possível, para fazer qualquer pessoa entender.

Entretanto, sei que sempre ficam dúvidas.

Então, caso você não tenha entendido algum ponto específico, deixe seu comentário abaixo!

Será um prazer tornar este assunto ainda mais acessível aos interessados.

Se você quiser aprender a investir em outras classes de ativos, sugiro a leitura dos seguintes posts:

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Grande abraço,

Ramiro

  • Rodrigo Saadi

    Excelente artigo e muito didático! Valeu, Ramiro, por explicar coisas complexas como estas para nós leigos de um jeito que nos faça parecer simples.

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Grande Rodrigo!

      Muito obrigado pela participação!

      Forte abraço

  • Sílvio florenciano

    Bom dia Ramiro. Parabens pelo artigo. Bastante didático.
    Desde o final de 2015 comecei a aplicar minhas economias no TD. tenho lido que é possivel conseguir resultados expressivos de rentabilidade operando os titulos. Qual é o estudo que deve-se fazer para decidir a mudança de titulo objetivando uma maior rentabilidade?
    Desde ja obrigado pelo esclarecimento,

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Bom dia, Sílvio.

      Muito obrigado pela participação.

      Fico feliz em saber que você já tem a consciência e hábito de aplicar as economias no tesouro direto. Você já está no caminho certo!

      Sobre a sua dúvida, vou ser bem franco: não gosto da ideia de ficar “operando” (isto é, comprando e vendendo no curto prazo) títulos públicos. Minha abordagem é sob o perfil do investidor, que é um pouco diferente do perfil do especulador (aliás, tem post saindo do forno sobre esse assunto).

      Ao fazer “trades” com TD para auferir uma rentabilidade maior do que a contratada no momento da compra do título, você também corre o risco de ver seus títulos desvalorizarem. Lembre-se que os títulos préfixados e os da família do Tesouro IPCA+ podem desvalorizar (e valorizar) no dia-a-dia. Se você adquirir, por exemplo, o Tesouro IPCA+ hoje, com vencimento em maio de 2019, irá receber, até o vencimento, inflação (ipca) + 6,10% ao ano, descontando taxas e imposto. Se essa taxa de juros (6,10%) subir ao longo dessa semana para, digamos, 7% ao ano, seu título irá desvalorizar. Se ela cair para, por exemplo, 5,50%, ele irá valorizar. Essas taxas variam de acordo com a curva de juros futuros de um país.

      Entretanto, é extremamente complicado prever o comportamento destes juros futuros. É mais um exercício de “chutômetro” do que qualquer outra coisa. Então, fique sempre atento nas pessoas que prometem uma rentabilidade expressiva operando títulos.

      Em vez de tentar lucrar realizando essas operações, eu sugiro que você faça uma reflexão sobre objetivos com investimento e trace uma estratégia considerando seu horizonte de tempo. Se, por exemplo, você possui um percentual do seu patrimônio que não pretende usar nos próximos 10 anos, seria interessante você aplicar no tesouro IPCA+ com vencimento em agosto de 2024. Se você o fizer, hoje, garantiria um rendimento de inflação +7,20% ao ano. Isto é, dobraria o capital investido, em termos reais, neste prazo.

      Espero ter lhe ajudado.

      Abraço,

      Ramiro

  • Li um artigo em http://queroficarrico.com/blog/2016/02/15/bancos-investir-dinheiro/ e cheguei até esse seu aqui.
    Só tenho a dizer o seguinte: Pronto! Já sei o suficiente sobre Tesouro Direto e não preciso pagar mais de 400 reais pelo curso do Rafael Seabra.
    Muito Obrigado!

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Boa tarde, Carlos.

      Muito obrigado pela participação e feedback. Fico feliz em saber que consegui lhe ajudar.

      Apesar de não o ter realizado, tenho certeza que o curso do Rafael Seabra é muito completo e pode lhe ajudar ainda mais nos seus investimentos no TD. Já realizei outro curso dele, e tenho profunda admiração pelo seu trabalho!

      Forte abraço e sucesso nos investimentos!

  • misael da silva

    Boa tarde. Gostaria de agradecer pelo dedicação e empenho de ensina os outros.
    Tenho dedicado a cada dia a busca a minha independia financeira, com ações, FII e com TD.
    Mas fiquei com um pouco de dúvida do TD IPCA+ não fazer “trader”
    Por exp: Eu compro um TD com uma tx de Juros 6,50% (no ato da compra), então no dia do resgate terei terei mais uma tx do IPCA do dia do vencimento (valor de X).
    Comprei hoje valor de 929,12 tx de juros 6,12% e ficarei com ele até o final 2035, para minha aposentaria, e tenho que aguardar o dia do vcto para fazer o valor da inflação (IPCA seja qq valor).
    Está explicação está certo ou errada.
    Desde já agradeço.

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Boa tarde, Misael!

      Primeiramente, agradeço pela participação e pelo feedback!

      Seu exemplo está correto. Se você não vender esse título ao longo do caminho (entre hoje e 2035), vai receber exatamente a variação do IPCA nos próximos 19 anos + 6,12% ao ano, descontado o imposto de renda sobre o lucro.

      Quando eu falo para não comprar esses títulos com o intuito de fazer “trades”, é porque vejo muitas pessoas querendo comprar eles para eventualmente lucrarem com uma queda na taxa de juros futuros. Por quê? Porque se as taxas de juros caem, o título acaba auferindo uma valorização um pouco maior no curto prazo. Só que a realidade é que é impossível prever se as taxas de juros futuras irão subir ou cair no futuro, então muitos desses “traders” de tesouro direto acabam se frustrando, ou até perdendo dinheiro.

      Essa questão correlação com juros futuros é um pouco complexa para quem não está no mercado há muito tempo, mas espero ter sido claro na explicação.

      Qualquer nova dúvida, estou à disposição!

      Grande abraço,

      Ramiro

  • Arthur

    Olá Ramiro, tudo bem?
    Primeiramente gostaria de te parabenizar pelo seu trabalho, tudo muito claro e bem bacana mesmo. Gostaria de saber uma posição sua sobre a situação atual, eu já invisto mensalmente no tesouro, porém, só no SELIC… Com a taxa SELIC a 14,25% e uma previsão de queda (estamos com essa previsão certo?), é a hora de dar um tempo em investimento no tesouro SELIC e passar a comprar um IPCA+, por exemplo, 2050? Pois mesmo se eu resgatar ele antes do tempo (daqui uns 3-5 anos), com a queda da taxa SELIC vou ter um rendimento maior do que o mesmo período no TD SELIC. Está certo esse pensamento? E quanto maior a data de vencimento (2035 ou 2050) maior será o rendimento mesmo antes do prazo?
    Se puder me dar uma luz, seria grato!
    Obrigado desde já. Abração

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Fala Arthur, tudo bem?!

      Primeiramente, muito obrigado pelo seu feedback e participação. Fico bastante feliz em saber que você já investe no tesouro direto!

      Sobre a sua dúvida: você está correto quando diz que a previsão é de queda da SELIC.

      O “mercado” (quando digo “mercado”, falo da média dos players do mercado financeiro) espera uma Selic próxima a 11,75% ao ano no final de 2017 (toda segunda-feira sai uma atualização do que o “mercado” espera, através do boletim focus, que pode ser acessado neste link: https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/readout.asp).

      Agora, se isso quer dizer que é hora de mudar seu investimento do tesouro Selic para o IPCA+, daí já não tenho segurança em dizer.

      Para ser bem franco contigo, eu sou um grande crítico à ideia de que existe um “investimento do momento”.

      O mercado financeiro costuma precificar imediatamente todas as expectativas dos seus players nos preços dos títulos. Ou seja: se hoje o tesouro IPCA+ está pagando IPCA + 6,00% ao ano até 2050, quer dizer que a média do mercado acredita que este é, hoje, o preço “justo” desse título. Dada a imprevisibilidade do futuro, esse titulo pode muito bem passar a pagar IPCA + 4,00% ao ano ou até IPCA + 8,00% ainda nos próximos meses.

      Desta forma, qual eu acredito ser a melhor solução de alocação de ativos em títulos públicos? Simplesmente diversificar a sua aplicação em títulos atrelados a inflação (e sim, estes são os meus preferidos e, para mim, teriam maior peso), títulos prefixados (uma LTN ou NTN-F) e títulos pós-fixados (como a sua parcela já aplicada em Tesouro Selic).

      Por fim, sobre o prazo do investimento: não gosto muito destes títulos de prazo muuuuito longo. Eu dou preferência aos títulos de médio prazo (entre 2 e 8 anos), porque eles acabam sendo menos sensíveis do que os de longo prazo para variação das expectativas de mercado.

      Isto é, você corre menos risco de ver seu patrimônio desvalorizar no curto prazo por conta de novas expectativas do mercado que afetem a taxa de seus títulos. Mas a lógica inversa aqui também é verdadeira, como você mesmo comentou: se a sua expectativa pessoal é de que a taxa destes títulos irá cair no futuro próximo, os títulos de longo prazo seriam os que mais se valorizariam. Entretanto, eu, pessoalmente, prefiro não correr este risco.

      Enfim, espero ter conseguido lhe ajudar. Caso você ainda tenha ficado com alguma dúvida, deixe seu comentário aqui embaixo!

      Grande abraço e sucesso,

      Ramiro

      • Arthur

        Obrigado pela resposta em prontidão.
        Eu não tenho uma experiência muito grande no TD, comecei há uns 5 meses investindo mensalmente, no caminho que a maioria segue, saindo da poupança e migrando para o TD. Já tenho quase uma quantia referente ao meu fundo de reserva no tesouro SELIC, optei por deixar lá por ser um recurso de fácil acesso, quase tanto quanto a poupança.

        Talvez realmente seja a hora de diversificar o investimento, nesse caso, quando você diz “títulos atrelados à inflação”, qual é o seu predileto dentro da sua preferência por eles? Como você define isso? Algum com vencimento nesse prazo de 2-8 anos?

        Obrigado novamente pela atenção. Grande abraço!

        • Ramiro Gomes Ferreira

          Fala Arthur!

          Meu título atrelado à inflação predileto é o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal), porque este título automaticamente reinveste os juros que seriam distribuídos no Tesouro IPCA+ Com Juros Semetrais (NTN-B).

          Só que esta preferência é bem pessoal. Existem pessoas, por exemplo, que gostam de receber estes juros semestrais e outras que ainda contam com ele para a manutenção de seu padrão de vida. Como isso não é o caso para mim, prefiro que estes juros sejam reinvestidos para mim. Neste título específico, prefiro os com vencimento em 2019 e 2024; acho os de 2035 muito longos e, consequentemente, voláteis.

          Agora, sobre o seu caso específico: deixe 100% do seu fundo de reserva investido no Tesouro Selic, porque este é o único título com volatilidade quase igual a 0. Ou seja, ele jamais irá se desvalorizar de um dia para o outro, o que é uma característica imprescindível para os investimentos da reserva de emergência (se você quiser ler mais sobre este assunto, veja este post: http://clubedovalor.com.br/reserva-financeira/).

          Grande abraço e sucesso!

          • Arthur

            Grande Ramiro, obrigado novamente pela atenção voltada às minhas dúvidas!
            Manterei 100% do meu fundo de reserva no SELIC mesmo, e depois vou pensar em começar a comprar algum outro atrelado à inflação.

            Sobre o que você disse nesse artigo sobre o fundo de reserva, nas opções que você citou lá, consta o CDB. Mas um CDB com liquidez diária não é menos rentável do que o tesouro SELIC? Pelo que eu tinha buscado, os que rendiam mais eram apenas os CDBs que não podiam ser resgatados antes do prazo final. Qual deveria ser em média a rentabilidade do CDB em relação ao CDI para eu considerar que tem rentabilidade maior do que o tesouro SELIC?

            Fiquei encafifado aqui… Ainda mais porque atualmente utilizo a Easynvest, e eles não cobram taxa para serem intermediários no Tesouro, mas acho que com CDB é cobrada uma taxa. Preciso pesquisar mais a respeito.

            Abração!

          • Ramiro Gomes Ferreira

            Fala Arthur!

            Nem sempre um CDB com liquidez diária é menos rentável que o tesouro SELIC. Isso depende justamente da rentabilidade “contratada” do CDB. Por exemplo: um CDB que renda 100% do CDI com liquidez diária possui uma rentabilidade superior a um tesouro SELIC, uma vez que há uma taxa de 0,3% para investir no tesouro direto.

            Só para você entender o cálculo: a LFT rende 100% da taxa Selic Over, que por sua vez é quase igual à do CDI (selic over está em 14,15% e cdi em 14,13%). Só que há esta taxa de 0,3% ao ano, que reduz a rentabilidade do tesouro selic/lft para 13,85% ao ano que, por sua vez, equivale a 98% do CDI. Isso já responde a sua segunda pergunta: uma cdb que renda 98% do cdi equivale ao tesouro selic. Entretanto, é claro que neste caso específico valeria mais a pena investir no td pela comodidade e pelo pequeno risco do emissor da cdb quebrar e o seu dinheiro ficar “parado” até que o FGC faça a cobertura.

            Por fim, acredito que a Easynvest não cobre uma taxa explícita para o investidor que investe em CDB. As corretoras costumam se remunerar, neste caso, fazendo um spread entre as taxas que elas “fecham” com a emissora do CDB e a taxa que eles entregam para os investidores (no exemplo da CDB líquida que renda 100% do cdi, isso equivaleria à corretora ter “fechado” uma taxa de 102% com o banco emissor e ficado com os 2% sobre o cdi como remuneração para ela).

            Espero ter tirado suas dúvidas! Muito por acaso, estou trabalhando num guia super completo sobre CDBs, que deve ir ao ar na semana que vem (ou no mais tardar, na outra).

            Grande abraço e sucesso,

            Ramiro

          • Arthur

            Ok Ramiro! Obrigado por todo o esclarecimento!
            Ficarei no aguardo desse guia completo sobre os CDBs! Com certeza será muito útil.

            São muitas opções muito parecidas, é difícil ver as pequenas vantagens de cada um para escolher o que melhor atenderá à minha expectativa.
            Vou começar a dar uma pesquisada no que é oferecido de CDB na Easy.

            Por enquanto não tenho mais dúvidas, assim que tiver algo te mando com certeza (ninguém mandou ser tão prestativo rs)

            Grande abraço e parabéns novamente pelo trabalho desenvolvido!
            Fantástico. Valeu demais.

          • Ramiro Gomes Ferreira

            Valeu, Arthur!

            Muito obrigado pela participação e pelo feedback!

            O Clube do Valor foi criado justamente para ajudar pessoas que proativamente buscam uma vida financeiramente mais saudável, como você! É sempre um prazer ajudar!

            E, de fato, são muitas opções muito parecidas. Quando as diferenças entre elas são pequenas, como nos casos em que comentamos, o melhor a fazer é manter a simplicidade e optar pelo TD mesmo, como você está fazendo.

            Grande abraço e sucesso,

            Ramiro

  • Kiro

    Como fica a indencia do IOF nos titulos do TD?

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Boa tarde, Kiro.

      Ótima pergunta. Vou atualizar este artigo com essa informação, mas já te respondo por aqui também: o IOF só é cobrado para aplicações de curtíssimo prazo (de até 30 dias), através de uma tabela regressiva de alíquota sobre o lucro da operação que começa em 96% e vai caindo no padrão “3-3-4”: 3% no primeiro dia, 3% no segundo, 4% no terceiro, 3% no quarto, 3% no quinto, 4% no sexto e assim sucessivamente…

      Ou seja, a partir do 30º dia de aplicação, já não há mais a incidência de IOF (porque ele chega a 0% e permanece assim).

      Abraço!