Especulação Financeira: Tudo Que Você Precisa Saber Para Não Confundir Com “Investimento” e Não Perder Dinheiro

O que é especulação financeira

O que passa em sua cabeça quando você ouve o termo especulação financeira?

Algo muito abstrato, não é?

O conceito de especulação financeira é, realmente, bem difícil de ser definido.

Agora, se eu lhe pedisse para descrever, seja mentalmente ou por escrito, a diferença entre investimento e especulação, você conseguiria?

Vá em frente.

Pare alguns segundos para pensar na sua própria definição sobre o que é “investir” e o que é “especular”.

Provavelmente, a diferença entre os dois conceitos não virá tão claramente à sua mente.

O significado de investimento eu já expliquei nessa página sobre como investir dinheiro.

Agora, quero que você dê um passo ainda maior e aprenda absolutamente tudo sobre o que significa especular.

Vá por mim: dominar este conceito é fundamental na sua busca pela independência financeira.

Com um bom conhecimento sobre o tema, você certamente evitará alguns erros comuns cometidos por muitos iniciantes no mundo dos investimentos, tornando a sua busca pela liberdade financeira mais rápida e simples.

Continue lendo este artigo para entender…

  • Por que você precisa saber diferenciar “especular” de “investir”
  • A definição correta de “especulação”
  • Os benefícios e malefícios da especulação financeira
  • Se você deve se tornar um investidor ou um especulador
  • Como não cair na armadilha da especulação e preservar seu capital

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E se você for uma pessoa mais “visual”, compartilho aqui abaixo um vídeo bem bacana que fiz sobre o mesmo tema:

POR QUE VOCÊ DEVE SABER DIFERENCIAR ESPECULAÇÃO FINANCEIRA DE INVESTIMENTO

O touro e o urso representam compradores e vendedores no mercado financeiro

“Especular” e “Investir” são dois termos muito parecidos num primeiro momento, porém muito diferentes.

Ambos fazem parte do mundo financeiro desde que Joseph de la Vega escreveu “Confusions of Confusions”, o livro mais antigo já escrito sobre bolsa de valores, em 1668.

Investidores e especuladores têm coexistido no mercado financeiro desde que a Companhia Holandesa da Índias Orientais tornou-se a primeira empresa do mundo a negociar ações em bolsa.

Se você já leu as minhas dicas de finanças pessoais e já montou uma reserva de emergência, provavelmente possui algum dinheiro “sobrando”.

Você sabe qual é um dos primeiros passos antes de fazer seu dinheiro trabalhar para você?

É justamente saber diferenciar investimento de especulação.

Porque, na falta de um entendimento correto das principais diferenças entre especular e investir, você acabará vagando sem rumo no mercado financeiro.

E se você vagar sem rumo pelo mercado, certamente acabará realizando operações especulativas, enquanto imagina estar investindo.

Para todos que creem estar investindo quando estão especulando, o resultado é o mesmo: grandes prejuízos.

Confundir especulação com investimento é sempre um erro.

Por isso, você precisa saber com clareza quais são as principais diferenças entre investir e especular.

Assim que você finalizar a leitura deste artigo, tenho certeza que conseguirá diferenciar “na lata” o que é uma operação de investimento e o que é uma operação especulativa 🙂

QUAL É O SIGNIFICADO DE ESPECULAÇÃO FINANCEIRA?

Painel financeiro

Mas afinal, o que significa “especulação”?

Já comentei que é um tema bem controverso e com diferentes interpretações.

Se você buscar no Google, por exemplo, irá se deparar com uma série de diferentes definições.

Aqui, separei as que eu julgo serem as principais e mais corretas.

Abaixo, você verá definições de “especulação” realizadas por diferentes autores, pensadores, especuladores e investidores.

1.      “ESPECULAÇÃO” POR JESSE LIVERMORE

Jesse Livermore é o especulador mais famoso da história.

Sua habilidade em conseguir altos lucros em mercados de alta e de baixa era considerável, assim como sua habilidade de recomeçar do zero (ele quebrou mais de 4 vezes).

No clássico livro Reminiscences of a Stock Operator (“Memórias de um operador da bolsa”, no Brasil), ele dá a seguinte definição:

“O especulador não é um investidor. Seu objetivo não é garantir um retorno consistente ao capital aplicado em uma boa taxa de juros, mas sim lucrar tanto num aumento ou queda de preço de qualquer mercadoria que ele possa estar especulando”.

2.      “ESPECULAÇÃO” POR JOSEPH SCHUMPETER

Joseph Alois Schumpeter foi um dos principais economistas da primeira metade do século XX.

Ficou famoso pela sua teoria do desenvolvimento econômico e pela sua ideia de “destruição criativa”.

Sua definição sobre especulação financeira segue abaixo:

“A diferença entre um especulador e um investidor pode ser definida pela presença ou ausência da intenção de “negociar”, ou seja, de lucrar com as flutuações dos preços de um ativo”.

3.      “ESPECULAÇÃO” POR FRED SCHWED

Fred Schwed, autor do livro “Where Are The Costumers’ Yachts?” (numa tradução livre, “Onde Estão os Iates dos Clientes?”), foi um famoso pensador de Wall Street.

A principal contribuição da sua obra foi expor a hipocrisia que reinava (e ainda reina) no mercado financeiro, na década de 40.

Sobre especulação, sua definição é a que segue:

 “A especulação é um esforço, provavelmente em vão, para transformar uma pequena quantia de dinheiro em uma grande quantia. O investimento é um esforço que deve ser bem-sucedido, para impedir que uma grande quantia de dinheiro se transforme em uma pequena quantia.”

4.      “ESPECULAÇÃO” POR PHILIP CARRET

Philipe Carret foi um dos primeiros gestores de fundos de investimentos do mundo.

No seu livro “The Art of Speculation” (“A arte da especulação”, numa tradução livre), ele tenta explicar o conceito de “especulação” no trecho que segue abaixo:

 “O homem que comprou ações da United Steel a $ 60 em 1915 com o intuito de vender em seguida com lucro, é um especulador. Agora, o homem que comprou ações da empresa da American Telephone a $95 em 1921 para desfrutar de um retorno de dividendos de mais de 8% ao ano, é um investidor.”

5.      “ESPECULAÇÃO” POR BENJAMIN GRAHAM

Benjamin Graham é, para mim, o investidor mais importante da história.

Por quê?

Simplesmente porque ele formulou toda a teoria do Value Investing e foi o professor de ninguém mais, ninguém menos, que Warren Buffett, o mais renomado investidor da história.

Dentre suas inúmeras contribuições ao mundo de investimentos, segue abaixo uma passagem do seu livro Security Analysis, citada no seu outro livro “The inteligente Investor” (“O Investidor Inteligente”, no Brasil):

Uma operação de investimento é aquela que, após análise profunda, promete a segurança do principal e um retorno adequado. As operações que não atendem a essas condições são especulativas.”

O CONCEITO DEFINITIVO DE “ESPECULAÇÃO”

O que podemos aprender trabalhando com todos estes conceitos?

Se você ler com atenção, verá que vários deles possuem pontos em comum.

Mas, para mim, as três principais diferenças entre os especuladores e os investidores são:

  • Os especuladores não estão interessados em manter seus ativos por um longo período. Eles focam no curto prazo.
  • Os especuladores têm como motivação principal o potencial de lucro, nem que isso signifique arriscar todo o capital empregado.
  • Os especuladores adquirem algum ativo simplesmente apostando que ele irá se valorizar porque alguém pagará mais caro. Eles nem sempre realizam uma “análise profunda”, tampouco enxergam empresas por trás de ações, imóveis por trás de fundos imobiliários, e aí por diante.

Juntando estes pontos, podemos criar nossa própria definição, que seria algo mais ou menos como:

A especulação é uma operação de curto prazo, com foco no preço do ativo especulado em detrimento aos seus fundamentos, e com o objetivo de gerar um resultado muito superior ao do mercado, assumindo riscos que podem comprometer todo o capital aplicado.

Agora, você já consegue descrever mentalmente as principais diferenças entre investir e especular?

Espero que sim.

Mas continue a leitura, que você aprenderá muito mais ainda.

A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA É BENÉFICA?

Os benefícios e malefícios da especulação financeira

Sim e não.

Aqui, devemos saber diferenciar o que é bom para o mercado financeiro como um todo e o que é bom para você, que busca sua independência financeira.

Para o mercado financeiro, a especulação é ótima.

Os especuladores dão liquidez à economia (liquidez é a facilidade com que você pode transformar seu dinheiro em algum outro ativo ou algum ativo em dinheiro).

Você só consegue comprar ações, fundos imobiliários, imóveis, etc., quando há pessoas dispostas a vendê-los para você.

E, muitas vezes, estas pessoas são especuladoras 🙂

Então, apesar de muitas vezes vermos o termo “especulação” ligado a algo corrupto ou ilegal, a especulação financeira é totalmente saudável e benéfica ao mercado de capitais.

ESPECULAR OU INVESTIR?

A especulação pode destruir o seu patrimônio

Chegamos, aqui, num ponto em que você já está se tornando um craque no assunto.

Provavelmente, você já sabe da importância de se saber diferenciar uma operação especulativa de uma operação de investimento.

Sabe, também, que a especulação é necessária para o bom desenvolvimento da economia.

Agora, provavelmente você esteja se questionando: “a especulação financeira é para mim?”

Minha resposta é bem clara aqui: NÃO.

Sob o ponto de vista daqueles que estão trabalhando para alcançar sua independência financeira, a especulação pode ser uma grande barreira ao sucesso.

Eu defendo que você direcione seus estudos e esforços para se tornar um investidor inteligente.

Mais do que isso, eu quero lhe ajudar a se tornar um investidor de sucesso.

Este é um dos principais motivos da existência do Clube do Valor (leia mais sobre isso nessa página).

“MAS, POR QUE VOCÊ NÃO RECOMENDA QUE EU ESPECULE?”

No jargão do mercado financeiro, qualquer pessoa que compra ou vende uma ação, título público, imóvel ou qualquer outro ativo é taxado como investidor.

Entretanto, a maioria das pessoas que acham estar investindo está, na realidade, especulando.

“Vou dar uma jogada no mercado de ações. Ouvi dizer que essa OGX vai bombar. Vou investir.”                

“A Petrobrás não vai quebrar, é um “colosso”. Então, não tem risco investir nela.”

“As ações da Gerdau caíram tanto… Vou investir nelas, porque devem subir.”

Você já viu alguém proferir alguma frase semelhante a estas acima?

Este é exatamente o retrato da confusão causada entre os termos “investir” e “especular”.

Muitas pessoas bem intencionadas são influenciadas a especular no mercado, enquanto acham que estão investindo.

O caminho trilhado é sempre o mesmo: prejuízos, prejuízos e mais prejuízos.

Além dos prejuízos, elas passam a odiar qualquer assunto relacionado a investimentos.

Saem contanto para todos que “investir é perda de tempo” ou que “a bolsa é um grande cassino”.

Estas pessoas estão erradas. Porque elas jamais investiram. Elas especularam!

E elas não têm culpa de estarem agindo errado. Elas agem assim, porque são expostas a muitas manchetes e propagandas de corretoras incentivando a especulação.

Afinal de contas, as corretoras ganham sobre o valor que você movimentar no mercado. Para elas, quanto mais você comprar e vender ativos, mais elas irão faturar.

Curiosidade: Eu mesmo comecei investindo numa empresa que não conhecia (não sabia nem o seu setor de atuação), apenas porque li, na internet, que suas ações “iriam bombar”.

Por isso, você precisa sempre identificar se você está investindo ou especulando.

Lembre-se do conceito de especulação financeira que desenvolvemos neste post.

Agora, compare-o com o conceito de investir.

Se precisar de ajuda, dê uma olhada (ou salve) a imagem abaixo:

Especulador vs Investidor

Ou ainda dê uma lida no que o André Fogaça, do Guia Invest, escreveu sobre esse assunto nesse post do seu blog.

Tenho certeza que fazer esta separação entre especulação financeira e investimento vai facilitar muito sua curva de aprendizagem e seu sucesso como investidor.

UMA HISTÓRIA DE PERDAS ESPECULATIVAS.

Perdas especulativas

No ano de 1973, quando Graham revisou pela última vez o livro “O Investidor Inteligente”, a média dos investidores norte-americanos mantinha uma ação em carteira por 5 anos.

Com o surgimento da internet e a democratização das informações de investimento, ficou muito mais fácil de investir de casa, direto do computador pessoal.

Assim, grandes corretoras começaram a incentivar muito que seus clientes especulassem e realizassem operações de curto prazo, vendendo um sonho de dinheiro fácil.

O mercado financeiro passou a vender a ideia de que a negociação online de ações era uma maneira instantânea e simples de ganhar dinheiro.

Para você ter uma ideia melhor do que estou falando, dê uma olhada na propaganda abaixo, veiculada por uma corretora ameriana, em 2000:

Infelizmente, não encontrei uma versão com legendas, mas explico aqui o roteiro:

Um motorista de guincho, muito mal vestido, dá uma carona a um executivo bem vestido, com aparência próspera.

Ao longo da carona, eles conversam sobre o mercado financeiro.

O motorista deixa claro que está aposentado, porque ganhou muito investindo online, e vai além: diz que a negociação online de ações dá pouco trabalho e não exige esforço intelectual.

No final do bate papo, o executivo vê uma foto de uma ilha paradisíaca e pergunta ao motorista se ele a visitou nas férias.

Com ar triunfante, o motorista diz que aquela é a sua casa e que, tecnicamente, a ilha é um país.

Nada mais absurdo, não é?

Não é a toa que, em 2002, a média dos investidores norte-americanos mantinha uma ação em carteira por pouco mais do que 11 meses.

Milhões de americanos começaram a especular, achando que estavam investindo.

Esses especuladores não se preocupavam nem em saber quais eram as empresas que eles adquiriam.

No final de 1998, por exemplo, as ações de uma pequena companhia norte-americana de manutenção predial, chamada Temco Service, triplicaram de valor em poucos minutos.

Por quê? Porque os especuladores, que se julgavam investidores, adquiriram ações da Temco ao confundirem seu código, TMCO, com o da empresa “Ticketmaster Online”, TMCS, uma startup de internet cujas ações estavam sendo negociadas pela primeira vez naquele dia.

E qual foi o resultado desse frenesi de especulação financeira travestida de investimento?

A “bolha ponto com”, uma das mais famosas da história, onde milhões de americanos perderam muito dinheiro investindo em ações de tecnologia, no início dos anos 2000.

E engana-se quem acha que esse incentivo perverso à especulação só existe nos Estados Unidos.

Pense na sua experiência: quantas vezes você já se deparou com manchetes e anúncios dizendo “as x ações que irão bombar nesse mês” ou “compre essa pequena ação que já subiu 200% nesse ano”?

Muitas, não é? 😉

CONCLUSÃO

Queima de Dinheiro

E aí, já consegue saber se você é um investidor ou um especulador?

E já entendeu como é importante procurar investir, e não especular?

Tenha bem claro na sua mente: ao especular em vez de investir, você estará diminuindo suas próprias chances de construir riqueza, e aumentando a de outro: o seu corretor.

Sempre fique alerta a “oportunidades” de “investimento” que sejam “garantidas”, “rápidas” ou “fáceis”.

Agora, se você ainda quer “testar a sua sorte” como especulador, recomendo que o faça com um percentual mínimo de seus ativos.

Quanto menos você envolver do seu patrimônio com operações especulativas, melhor.

Outra coisa: separe bem sua conta de investimento com a de especulação.

Por fim, fique muito atento para, daqui para frente, jamais cair na ilusão de que está investindo, quando estiver especulando.

Por hoje, é isso 🙂

Se você quiser se aprofundar no tema “como investir“, sugiro que leia os seguintes posts do Clube do Valor:

E, se você gostou desse artigo, por favor compartilhe-o nas redes sociais. Assim, você estará ajudando outros investidores a não caírem na armadilha da especulação financeira!

Forte abraço,

Ramiro Gomes Ferreira

  • Bruno Strack

    Baita artigo, Ramiro! Parabéns, mais uma vez!

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Muito obrigado pela participação, Bruno!

      Grande abraço!

  • Augusto Fontanelli Loureiro

    Sensacional artigo! Ótimos conceitos, ótimos cases de exemplo e bela didática. Parabéns Ramiro!

    • Ramiro Gomes Ferreira

      Muito obrigado pela participação, Augusto!

      Grande abraço!