O objetivo de muitos investidores é rentabilizar o capital e conseguir alcançar a liberdade financeira. Contudo, a depender da composição de sua carteira e nível de exposição aos riscos, os períodos de crise podem atrapalhar esses planos.

Afinal, nem todo investimento consegue ser lucrativo em mercados de queda ou quando há um pessimismo em relação à economia do país. Nesse sentido, uma dúvida que costuma surgir nesses momentos é: onde investir na crise e como proteger seus investimentos?

Para saber como respondê-la, bem como a entender o que acontece em um período de crise, aproveite este conteúdo preparado pelo Clube do Valor.

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É possível investir na crise?

Quem acompanhou o mercado no ano de 2020, conferiu os efeitos causados pela crise mundial de covid-19. Na ocasião, houve o aumento do desemprego, da inadimplência, instabilidade econômica e outros fatos que, naturalmente, refletiram nos mercados nacional e internacional.

O Índice Bovespa (Ibovespa), por exemplo, que vinha de máximas históricas, perdeu metade de sua pontuação. Apenas no mês de março de 2020, a B3 (a Bolsa de Valores Brasileira) precisou se valer de 3 circuit breakers para conter as quedas.

Ademais, as medidas restritivas abalaram severamente diversos setores, como comércios, restaurantes, aviação e turismo. Para conter os efeitos negativos, o Governo reduziu a taxa básica de juros para o menor patamar já registrado (2% ao ano).

Isso refletiu em diversos investimentos de renda fixa, com alternativas que passaram a render menos que a inflação. Por outro lado, mesmo diante da retração em diversos setores, surgiram oportunidades de investimento.

Já em 2021, o mercado absorveu parte do pessimismo do período e a bolsa retornou ao seu patamar pré-pandêmico, chegando a renovar suas máximas. Assim, quem teve a iniciativa de investir em ações quando a bolsa estava em queda, pode ter aproveitado oportunidades de retorno.

Portanto, ainda que as crises sejam responsáveis por causar pânico e insegurança no mercado, é possível passar por elas de forma tranquila. Além disso, como o mercado é cíclico, o longo prazo traz chances de recuperação para os investimentos que sofreram quedas.

Qual é a importância de proteger seus investimentos durante a crise?

Como você viu, os momentos de crise costumam mexer com o emocional do investidor. É comum o medo se instalar no mercado diante de quedas generalizadas. Isso pode gerar o “efeito manada”, fazendo com que os investidores desfaçam suas posições de modo irracional e coletivo.

No entanto, o efeito manada pode levar o investidor a tomar decisões equivocadas, aumentando os prejuízos. Nesse sentido, saber como proteger os investimentos contra as crises e durante essas instabilidades é fundamental para preservar o capital diante de movimentos inesperados do mercado.

Como definir onde investir na crise?

Para conseguir se proteger dos momentos de crise, é preciso entender onde investir nesses cenários e ter maior proteção no portfólio. A seguir, confira as principais dicas que podem ser observadas no momento de montar sua carteira de investimentos:

Não acredite em quem diz que é possível prever o futuro

Uma das questões principais que um investidor precisa ter em mente é a imprevisibilidade do mercado. Portanto, não há razões para crer que alguém possa dizer, com propriedade, quais serão os próximos ativos que registrarão altas, quais cairão, quem ganhará ou perderá dinheiro.

Logo, não se deixe enganar com promessas de ganhos garantidos ou lucro rápido — elas podem ser divulgadas com frequência na internet. Isso porque todo o investimento está sujeito a riscos, mesmo os investimentos de renda fixa — embora, nesse caso, eles sejam menores.

Também é preciso entender que, no universo dos investimentos, não há uma fórmula mágica para o sucesso. Cada investidor pode trilhar um caminho diferente para chegar ao mesmo objetivo. Contudo, dificilmente isso será possível seguindo dicas de “gurus do mercado”.

Portanto, saiba selecionar o material que você consome sobre investimentos, buscando sempre fontes confiáveis. Por exemplo, no Clube do Valor você tem acesso aos melhores cursos que lhe ensinam como investir de verdade, sem promessas de ganhos ilusórios ou estratégias infalíveis.

Monte uma carteira alinhada com seu perfil de investidor

Antes de iniciar sua jornada como investidor, um dos passos mais importantes é identificar a sua tolerância aos riscos. Isso é feito por meio do teste de suitability, realizado pelos bancos de investimento e corretoras de valores.

Esse teste é composto por diversas perguntas sobre dados pessoais, capital financeiro, interesse por investimentos e conhecimentos sobre o mercado. Elas ajudam a identificar a sua tolerância a riscos, prazos e objetivos. Com base nas respostas, você será classificado em um dos três perfis existentes.

Veja quais são e como funcionam!

Conservador

Quem tem o perfil conservador dificilmente aceitará tomar grandes riscos. Afinal, ele engloba os investidores que preferem contar com a segurança, mesmo que o retorno de sua carteira seja menor ou limitado.

É comum que esse perfil conte com pessoas inexperientes no mercado ou que tenham receio de perder dinheiro. Ele também se aplica nos casos em que não é interessante arriscar o patrimônio acumulado ao longo da vida.

Moderado

Em relação ao perfil moderado, ele se refere às pessoas que aceitam tomar risco, mas não abdicam da segurança. Dessa maneira, o investidor moderador costuma manter um equilíbrio em relação aos riscos de sua carteira — geralmente alternando entre renda fixa e renda variável.

Portanto, o investidor busca maiores rentabilidades, mas sem se submeter ao risco de ter grandes perdas financeiras. Logo, o perfil moderado costuma envolver pessoas que já contam com conhecimento do mercado e estão em fase de acumulação de capital.

Arrojado

Quem tem o perfil arrojado, por sua vez, está disposto a correr mais riscos em troca da possibilidade de ter maior rentabilidade. Nesse sentido, o investidor arrojado costuma investir na renda variável e alternativas de maior risco.

O motivo está no fato de que, na renda variável, é impossível prever se o investimento será rentável. Inclusive, nessa classe de investimento, existe o risco de perder dinheiro. É o caso de comprar uma ação e uma crise impactá-la negativamente — diminuindo o capital investido, por exemplo.

No entanto, o investidor arrojado também encontra maiores potenciais de rentabilidades do mercado. Em complemento, é possível utilizar estratégias para manejar os riscos e controlar as perdas.

Então, é um perfil que costuma enquadrar investidores mais experientes, que já possuem bom conhecimento do mercado ou que tenham maior tolerância ao risco de perdas.

Por fim, vale saber que cada investimento disponível no mercado atende a um desses perfis. No entanto, não é porque um investidor tem um perfil arrojado que ele deixará de investir na renda fixa, por exemplo.

O que usualmente acontece é uma maior ou menor exposição do capital a cada uma dessas classes, dependendo também dos objetivos financeiros. Então caberá a você escolher os investimentos alinhados às suas expectativas — bem como ao risco que se propôs suportar.

Tenha em mente, então, que não existe uma carteira boa para todos. Logo, uma alternativa que funciona para um determinado investidor pode não funcionar para você.

Diversifique a composição de sua carteira

Uma das estratégias mais utilizadas entre investidores de sucesso é a diversificação. Ela consiste em montar uma carteira com diferentes alternativas de investimento — como aplicações de renda fixa, ações nacionais e estrangeiras, fundos imobiliários, fundos de índice, commodities, entre outros.

Com isso, ainda que um dos investimentos realizados resulte em prejuízos, o lucro dos demais poderá ajudar a compensar as perdas.

Por exemplo, a bolsa brasileira possui correlação negativa com o dólar. Ou seja, quando a bolsa cai, é esperado que o dólar ganhe valor e vice-versa. Portanto, caso você tenha ações nacionais, pode ser interessante buscar diversificar seu portfólio com alternativas dolarizadas — como o ETF IVVB11.

Uma correlação negativa também pode acontecer entre títulos de renda fixa e ações. Isso porque a rentabilidade da renda fixa está atrelada às taxas de juros. Quando elas estão baixas, é normal que muitos migrem para a bolsa — o que tende a elevar os preços dos papéis.

É importante também considerar a diversificação para os mesmos tipos de investimento. Quem monta uma carteira de ações, por exemplo, pode fazer escolhas diversificadas — a fim de diminuir os riscos.

Afinal, como visto, uma crise pode afetar mais um setor e ter seus efeitos neutralizados por outros. Vale destacar que esses são apenas alguns exemplos que possibilitam a diversificação. Ademais, lembre-se de que as escolhas devem considerar o seu perfil de investidor e objetivos financeiros.

Entenda o motivo de escolher um investimento

Agora você já reúne bastante conhecimento sobre onde investir em tempos de crise para proteger sua carteira. Porém, também é preciso se atentar aos motivos de escolha de um investimento, pois eles influenciam na definição da alternativa ideal.

No momento de montar uma reserva de emergência, por exemplo, é comum buscar aplicações de renda fixa com alta liquidez. O motivo está no fato de que a reserva de emergência é um capital que visa atender a uma necessidade não esperada.

Então ela precisa estar alocada em uma alternativa que possa ser resgatada rapidamente, já que emergências não podem esperar. O montante também deve estar protegido contra perdas, para que ofereça a segurança esperada diante de urgências.

Perceba, então, como poderá ser prejudicial manter uma reserva de emergência em uma alternativa de renda variável — como um fundo de investimento em ações, por exemplo. Embora os fundos sejam menos voláteis que ações, eles também podem ser impactados por crises.

Imagine que você precise do dinheiro alocado no fundo, mas verifique que a quantia já não é suficiente para suprir a urgência diante da queda do valor das cotas. A sua situação pode ficar complicada, concorda?

Portanto, antes de escolher onde investir, defina o motivo de estar optando por ela. Por exemplo, para escolher uma ação pode ser apropriado buscar motivos na análise fundamentalista.

Com ela, você conseguirá analisar os fundamentos de uma empresa — como sua saúde financeira, gestão, preço justo, etc. Com isso, você terá base para compará-la com ações de outras companhias.

Assim, fica mais fácil escolher a que apresenta maiores condições de atender aos seus objetivos. Dessa maneira, as chances de você tomar uma decisão emocional ou com base em eventos externos — como crises — diminuem.

Foque em investimentos de longo prazo

Um dos motivos que levam investidores a perderem dinheiro é a busca por ganhos imediatos. Apesar de não ser impossível obter lucros no curto prazo, os riscos são consideravelmente maiores. Por exemplo, como você viu, a crise de covid-19 fez com que o mercado caísse rapidamente em 2020.

Quem tinha visão de curto prazo e encerrou suas aplicações no período pode ter se deparado com um grande prejuízo. Por outro lado, quem focava um horizonte de longo prazo pode não ter sido tão impactado, já que no ano seguinte diversos ativos apresentaram uma recuperação.

Ademais, se você analisar o histórico de preços da bolsa de valores brasileira, nos últimos 20 anos, perceberá uma contínua valorização. Isso quer dizer que, mesmo diante de períodos de crises e quedas, elas não costumam alterar a perspectiva de longo prazo da bolsa.

Um exemplo de que o foco no longo prazo pode funcionar é o de Luiz Barsi Filho, o maior investidor pessoa física brasileiro. Para ter a fortuna bilionária que possui hoje, ele começou a investir há mais de 50 anos, com foco em ações de companhias de setores mais estáveis e previsíveis.

Isso não significa que um investimento de longo prazo seja 100% seguro e possa ser deixado sem supervisão. Porém, seus riscos tendem a ser diluídos com o passar do tempo. É dessa forma que ocorre a consolidação de seus resultados, contribuindo para a construção do patrimônio.

Conclusão

Com a leitura deste conteúdo você pode verificar onde e como investir para proteger sua carteira na crise. Contudo, como você aprendeu, a escolha de um investimento demanda observar seu perfil, objetivos e os motivos de optar por aquela alternativa de modo a tomar decisões mais conscientes.

Quer saber como montar uma carteira de investimento? Preencha esse formulário e veja como podemos lhe ajudar!