Você com certeza já deve ter ouvido falar sobre as oscilações ou volatilidade do mercado financeiro, certo? 

Para esses picos e vales do mundo monetário, denominamos volatilidade como o termo que pode afetar diretamente seus investimentos, render bons lucros ou maximizar risco de perdas. 

Mas, afinal, o que de fato significa volatilidade e que tipo de impacto isso pode causar na carteira de investimentos? 

Se você é iniciante no mundo do investimento, é imprescindível que conheça alguns conceitos e como eles podem gerar bônus (ou ônus), antes de tomar a decisão de aplicar seu capital. 

Abaixo, você pode desfrutar de um guia completo sobre volatilidade, que contém todo o conteúdo necessário para que trace um plano estratégico sólido e funcional, aumentando seus ganhos com o mínimo de risco possível.

O que é volatilidade nos investimentos?

No espaço de investimento, nos referimos diretamente às oscilações pelas quais o preço de um ativo passa em um determinado período de tempo. 

Falamos também sobre sua intensidade e frequência, dois aspectos fundamentais na análise de volatilidade. 

Por meio dessa análise é permitida ao investidor uma perspectiva mais ampla da variação do valor do seu título futuramente.

Assim, oferece a oportunidade de estudar melhor o comportamento de determinado ativo antes que o investidor aporte capital, estabelecendo a chance de bons rendimentos e/ou se vale a pena ou não o risco.

Com essas informações estabelecidas, quem pretende investir pode traçar uma estratégia de investimento, ao escolher quanto, quando e onde quer arriscar.

É impossível falar no estudo da movimentação de preços, sem falar em risco, visto que estão interligados – ainda que não signifiquem o mesmo. 

Você pode se perguntar “ok, mas então como vou saber qual ativo é menos ou mais arriscado na hora de investir?” e a resposta será exatamente na análise da volatilidade. 

O quociente de volatilidade indica as chances de aumento ou diminuição do preço do ativo em um tempo X. Quanto mais volátil é um título, mais oscilações percorrem por ele, logo, tem um índice de risco mais elevado. 

Se você é detentor de um ativo volátil, pode usar esse conhecimento para descobrir o melhor momento de venda, o que é muito interessante do ponto de vista financeiro.

o que é volatilidade

Os 3 tipos de volatilidade

Antes de prosseguir com a análise de volatilidade e como ela impacta seus investimentos, é preciso saber que existem três tipos diferentes, com abordagens distintas na hora de considerar o quociente de um investimento. Você confere logo a seguir.

Volatilidade histórica

Se baseia naquilo que o nome mesmo indica: o histórico. É o indicador responsável por medir as variações do preço de um determinado ativo quanto à sua oscilação em um determinado período do passado. 

A partir dos dados descobertos, é possível descobrir uma “tendência” e, assim, traçar uma estimativa futura de comportamento.

É importante destacar que, como o mercado financeiro não segue uma linearidade, as estimativas não passam de previsões que podem ou não se concretizar.

Volatilidade implícita

Assim como a histórica olha para o passado, a implícita volta seus olhos para o futuro. 

Usando por base as variações históricas e algumas outras variáveis, ela é calculada levando em consideração projeções de mercado de derivativos, por exemplo.

Volatilidade real

Já a real corresponde a variação efetiva do valor do ativo no futuro. Contudo, há uma questão latente sobre ela: a partir do momento em que a oscilação passa a ser conhecida, não faz mais parte da volatilidade real e, sim, da histórica.

O que afeta a volatilidade no mercado?

O mercado financeiro, como citado anteriormente, não segue qualquer linearidade, pelo contrário, ele é cheio de curvas e imprevistos e isso afeta diretamente aquelas pessoas que decidem investir capital em ativos.

Na maioria das vezes, a volatilidade do mercado é causada por questões econômicas, como mudança na taxa de juros e política fiscal. 

Outras vezes, os desenvolvimentos políticos acabam por impactar – positiva ou negativamente – a economia. 

Ela pode ser vista como um reflexo do sentimento do investidor, ou seja, vários fatores podem influenciar o comportamento, afetando diretamente a volatilidade. 

Considera-se volátil qualquer mercado que oscile 1% para mais ou para menos por um período de tempo determinado, sustentando índices oscilantes. 

Embora seja algo estressante para quem investe, as oscilações são, na verdade, parte normal de um investimento. Alguns fatores influenciam diretamente essas flutuações de preços e, dentre elas, podemos destacar três principais.

Fatores políticos e econômicos

O governo desempenha papel fundamental de influência nos fatores que impactam a variação dos preços de ativos.

São eles que atuam na regulação de indústrias e podem interferir no mercado financeiro tomando decisões sobre acordos comerciais, legislação e políticas monetárias.

Os dados econômicos também desempenham um papel importante, porque é a partir do desenvolvimento da economia que os investidores reagem e aplicam seu capital.

Relatórios mensais de empregos, dados de inflação, números de gastos do consumidor e cálculos trimestrais do PIB podem afetar o desempenho do mercado. Por outro lado, se essas expectativas de mercado falham, os mercados se tornam mais voláteis e, por consequência, afetam a economia.

Desempenho das empresas

Alguns eventos específicos podem causar variação dentro de uma determinada indústria e setor. Um evento climático, por exemplo, pode afetar o setor petrolífero, de exportação de frutas e safras de grãos, dentre muitos outros.

Por consequência, o preço das ações das empresas relacionadas aos setores no exemplo acima pode oscilar. É importante estar de olho nisso para encontrar ações com um valor justo.

Da mesma forma, mais regulamentação governamental em um setor específico pode resultar na queda dos preços das ações, devido ao aumento de custos com funcionários que podem afetar o crescimento futuro dos lucros.

Confiança do investidor

O investidor busca se sentir seguro não só em questão de riscos financeiros, mas também na certeza de estar colocando seu dinheiro em algo sólido, de qualidade, que ofereça produtos e serviços que valham a pena. 

Esse fator de influência se encontra em notícias positivas, como relatório de ganhos ou um novo produto que está impressionando os consumidores, alavancando a marca e melhorando o preço das ações.

Por outro lado, empresas que possuem com frequência marcações de recall ou mau comportamento executivo, por exemplo, podem prejudicar o preço das ações e os investidores retirarem seus investimentos.

Entenda a relação volatilidade x risco

Ao falar em risco, fazemos referência às probabilidades do retorno do investimento serem diferentes do prospecto. Isso significa considerar a possibilidade de perder parte ou até mesmo todo o valor investido.

Diante de tantos riscos, usa-se exatamente do conceito de volatilidade para mensurar os possíveis riscos de perda, já que o seu quociente oferece frequência e intensidade da variação dos valores de títulos.

Ativos mais arriscados são mais voláteis – ou seja, tem maior chance de perda (e ganho também, a longo prazo). Ativos menos arriscados são menos voláteis, mas também possuem probabilidades de perdas e ganhos menores.

variações de preços ações

Qual a importância do investidor compreender a volatilidade?

Um investidor que sabe compreender esse conceito está mais preparado para traçar uma estratégia funcional e com bons recursos de retorno. 

Dá para se dizer que esse conhecimento permite ao investidor ter uma noção mais ampla do valor de determinado título no futuro, possibilitando o redimensionamento de seus rendimentos e consideração de riscos. 

Com esse conhecimento, o investidor pode escolher de forma mais assertiva quanto deseja aportar, quando e dentro de qual prazo, criando para si uma estratégia com maiores probabilidades de rentabilidade.

A volatilidade em diferentes tipos de ativos

A volatilidade se comporta de diferentes maneiras dentro do universo variado dos ativos. Veja só:

Fundos de Investimento

Ao optar por investimento em fundos, deve-se considerar aqueles que têm volatilidade maior ou menor, dependendo do portfólio e do tipo de cada um. 

Decidindo investir em um fundo com maiores ganhos, você estará firmando compromisso com maiores riscos de perda também. Aqueles que optam por fundos menos voláteis, têm risco mais baixo, mas também menor potencial de rentabilidade. 

Alguns investidores não fazem essas análises e investem em fundo X porque obteve maiores rendimentos em determinado prazo, o que pode ser um movimento arriscado.

Com alta volatilidade, o fato de ter rendido mais no mês passado pode ser reflexo de maiores riscos. Dessa forma, o investidor se expõe a maior probabilidade de perda.

A relação entre risco e retorno é essencial, pois a economia é um instrumento vivo que possui diversas variáveis mudando constantemente.

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Ações

O Mercado de Ações também oferece a possibilidade do investidor acompanhar as oscilações dos papéis e estabelecer a volatilidade antes de aportar seu capital. 

Dentro do mercado acionário, essa é uma variável bastante comum. Seguindo os quocientes de volatilidade, é mais fácil encontrar perspectivas positivas de venda para obtenção de lucros, ainda mais se há interesse em espaculação.

Cambial

O câmbio de moedas é outro setor que envolve volatilidade, e esse é mais presente no dia-a-dia das pessoas, onde em qualquer rádio, jornal ou pela internet é fácil descobrir a cotação de moedas como o dólar e o euro. 

Volatilidade cambial refere-se às flutuações dos valores perante as casas de câmbio no mercado financeiro, onde as alterações no valor das moedas influem diretamente em rendimentos e negócios.

A variação do dólar, por exemplo, afeta não só quem investe na moeda americana, mas também quem investe em empresas que usam sua cotação como base de trabalho, como as exportadoras e importadoras.

Outro fator é que ela alimenta a expectativa inflacionária, pois diversas peças, itens e outros componentes passaram a ser importados.

Renda fixa

Neste caso, atenta o investidor às variações na rentabilidade para resgates feitos antes do vencimento. Em investimentos em Títulos Públicos, por exemplo, não é incomum que aconteça o fenômeno chamado marcação a mercado.

Marcação a mercado consiste em olhar para o preço pelo qual o título seria vendido hoje e se deparar com uma rentabilidade diferente de quando a renda foi contratada, inclusive podendo ser negativa.

Mas isso apenas se aplica na intenção de efetuar resgates antecipados. Ao manter até o vencimento, o valor contratado é disponibilizado ao investidor.

Opções

Caso você não seja familiarizado com o conceito, é chamado de opções um contrato que estabelece direito de venda e compra de um ativo determinado por um preço determinado em um período também determinado.

Uma call, como é chamada a opção de compra, dá o direito (não obrigatório) de comprar determinada ação no futuro. Já a put, opção de venda, fornece o direito de venda do ativo até determinado vencimento por um valor pré-acordado.

cálculo da volatilidade

Fórmula e passo a passo para o cálculo da volatilidade

Para realizar esse cálculo, usa-se uma fórmula bastante simples. Porém, para de fato usá-la, é necessário antes seguir um passo a passo. 

Primeiro, é preciso descobrir o desvio padrão da rentabilidade histórica de um determinado investimento. A partir desse cálculo, é possível descobrir a movimentação de preços diária do ativo. Para encontrar essa variante que estará na fórmula principal, calcula-se:

Rentabilidade Diária = Preço Atual – Preço Anterior / Preço Anterior

O desvio padrão representa a volatilidade diária do ativo.

Após encontrar essa variante, transformamos a volatilidade diária em anual. A fórmula, então, fica assim:

Volatilidade Anual = Volatilidade Diária * √252

Usando essa fórmula, é possível embasar melhor as decisões antes de aportar o capital em determinado ativo. Observe diferentes períodos e adquira uma base referencial de como as ações do seu interesse se encontram no mercado hoje.

Exemplos práticos

Oferecemos dois exemplos práticos, simples, que ajudam a entender melhor em perspectiva financeira como esse recurso funciona.

Suponha que uma ação custa R$ 100,00 e oscila em média R$ 1,00 para mais ou para menos diariamente. Agora suponha que outra ação, de mesmo valor, oscila em torno de R$ 20,00 para cima ou para baixo em um dia.

Dessa forma, a primeira situação é mais segura, menos volátil, mas também possui um rendimento menor. Já a segunda tem alta volatilidade, alto risco, mas oferece rentabilidade bem mais atraente.

Porém, é importante considerar esse quociente não somente a curto prazo, mas a longo prazo também, utilizando a volatilidade anual. Seguimos com outro exemplo.  

Imagine agora dois ativos distintos, porém com o mesmo valor: R$ 1.000,00.

O ativo “A” possui volatilidade anual de 30%, enquanto o ativo “B” de 60% por ano. 

Colocando-os em perspectiva numérica, isso significa que A pode oscilar rendimentos entre R$ 700,00 e R$ 1.300,00, enquanto o ativo B oscila entre R$ 400,00 e R$ 1.600,00.

Ao investir no ativo B, você terá melhores chances de ganhar dinheiro pela volatilidade mais elevada, certo? Em contraponto, há o risco de perder mais dinheiro também, exatamente pela mesma razão.

Quem investe deve saber avaliar o cenário e equilibrar prós e contras antes de escolher em qual ativo investir seu capital.

Como analisar e usar a volatilidade para investir melhor?

Dois conceitos que estão intimamente conectados são volatilidade e sucesso do investimento.

Investidores que sabem interpretar esses índices podem utilizar oscilações do mercado a seu favor, não desperdiçando chances de compra e venda durante a flutuação do mercado financeiro

Portanto, para analisar índices de volatilidade, você pode contar com alguns indicadores, ferramentas fundamentais na hora de considerar compra ou venda de ações. 

Índice Sharpe: retorno por unidade de risco de um ativo

O Índice Sharpe é um indicador de desempenho estatístico de fundos. 

Seu objetivo é não apenas considerar a rentabilidade de um investimento, mas também traçar um paralelo da relação rentabilidade x volatilidade, ou seja, considerar o risco envolvido na obtenção de determinado ativo.

Ele ajuda a definir e responder qual o investimento com maior retorno e menor risco possível.

índice sharpe

Índice Beta: medida alternativa da volatilidade

O Índice Beta, por sua vez, mede as movimentações de preço de uma ação em comparação ao desempenho de um benchmark, o padrão de referência que o mercado financeiro utiliza para avaliar o desempenho de determinada estratégia. 

Além disso, o Índice Beta mede a sensibilidade de uma ação dentro do mercado, considerando acontecimentos imprevisíveis dentro da esfera financeira. 

Como a diversificação ajuda a proteger sua carteira de investimentos?

O mercado financeiro possui uma dinâmica muito singular e variada e mesmo quem é experiente no assunto não consegue antever todas as possibilidades do futuro de forma garantida. 

Ainda que você possua um bom investimento, sempre existe um risco iminente de, de uma hora para outra, a maré mudar. Diversificando a carteira, o investidor aumenta muito a segurança e minimiza os riscos de perda ao máximo. 

Isso porque ao não aplicar todo capital em apenas um ativo, o risco de acontecer perdas que impactem o montante da carteira se torna muito menor. Você pode obter títulos de maior ou menor volatilidade, com vencimentos distintos e de setores diferentes. 

Dessa forma, vários fatores de influência trabalham para garantir a maximização dos seus rendimentos.

Ainda não está seguro para aplicar o capital? Não tem problema, o Clube do Valor traz um curso que desmistifica o mercado financeiro para que você possa começar a investir e render bons lucros com o seu capital.

Conclusão

Por fim, a volatilidade é um recurso de extrema importância para equilibrar investimentos, definir estratégias eficientes e diversificar a carteira de investimentos, levando em consideração as oscilações de mercado. 

Antes de aportar o capital, analise e calcule o quociente de volatilidade e invista seu dinheiro de maneira mais consistente e inteligente. Para mais dicas e para aprender as melhores estratégias, conte com o Clube do Valor.

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