Value Investing: Por que esse é o melhor jeito de escolher ações

O que é renda variável?

Como eu posso decidir quais ações comprar?

Você já abriu algum site de análise de ações ou a sua corretora, viu diversos ativos diferentes com vários dados sobre eles e ficou com essa dúvida?

Se sim, você não está sozinho.

Entrando pela primeira vez no mercado de renda variável, é muito normal ter essa dúvida.

Mas não se preocupe: nesse artigo, vou apresentar para você o melhor método de investimento em ações que existe: o Value Investing!

Fique tranquilo, você não precisa acreditar cegamente que este é o melhor método de todos.

Vou apresentar alguns outros métodos e estratégias também, para, depois explicar o porquê de Value Investing ser superior a eles.

Tenho certeza que, quando você terminar de ler, vai querer aplicar essa metodologia em seus próprios investimentos.

Continue lendo este artigo para aprender!

    ANÁLISE TÉCNICA

    Carteira administrada

    A primeira estratégia que vou apresentar aqui é a Análise Técnica.

    Essa é a estratégia de investimentos de quem acredita que o mercado é totalmente eficiente, e que devemos levar em consideração os padrões históricos do preço de uma ação para avaliar seu valor.

    Pessoas que seguem a filosofia de Análise Técnica passam um bom tempo analisando gráficos, preços históricos, e o volume de negociação (liquidez) das ações ao longo dos anos.

    A partir destes dados, adeptos da Análise Técnica fazem projeções de preços futuros, e, com base nisso, escolhem seus ativos.

    Por que preferimos o Value Investing?

    O mercado notoriamente não é 100% eficiente. E diferentemente da Análise Técnica, isso é uma noção que o Value Investing prioriza.

    É importante lembrar que quem compra ou vende ações são pessoas normais, e que estão suscetíveis a vieses comportamentais e reações exageradas aos fenômenos do mercado a curto prazo.

    Por isso, não podemos confiar que o preço de uma ação seja uma representação perfeita de seu valor.

    Além disso, no mercado financeiro, padrões passados não necessariamente são garantia de padrões futuros. Por isso, é bom tomar cuidado com projeções.

    Portanto, apesar de respeitarmos muito quem faz Análise Técnica, não acreditamos que essa é a estratégia mais eficiente que você pode usar em seus investimentos.

    EVENT-DRIVEN

    Onde os ricos investem

    A estratégia Event Driven, por sua vez, tem a premissa de que eventos futuros vão influenciar o mercado de ações, e que quem tiver uma boa leitura destes eventos vai fazer as melhores escolhas de investimentos. 

    Adeptos desta estratégia passam horas e horas analisando diversos cenários futuros e planejando o que vão fazer com seus investimentos em cada caso.

    Alguns dos eventos aos quais os investidores Event-Driven atentam são divulgações de resultados de empresas, novas legislações entrando em vigor, ou a entrada/saída de concorrentes de diversos mercados.

    Além disso, quem segue essa estratégia costuma investir em ações se baseando bastante no comportamento de “insiders”.

    Essas são pessoas que trabalham dentro das empresas. Investidores Event-Driven prestam atenção no padrão de compra/venda de ações da própria empresa que essas pessoas assumem.

    Observando isso, além de eventos macroeconômicos, políticos e internos das empresas e mercados, os investidores Event Driven tentam comprar as ações melhores, com base em sua leitura dos acontecimentos atuais e futuros.

    Por que preferimos o Value Investing?

    Apesar da análise de compra e venda de ações por parte de insiders ter resultados razoáveis, há uma linha tênue entre isso e acesso a informação privilegiada. Portanto, é preciso cuidado ao ir atrás destas informações.

    Dessa forma, isso acaba sendo ainda outra preocupação para quem segue a estratégia Event-Driven.

    Ou seja, essa filosofia traz mais estresse do que tranquilidade, o que é o oposto do que acreditamos que investimentos devem trazer aos investidores.

    Além disso, não gostamos da ideia de investir com base em projeções de eventos futuros. Além disso demandar muito tempo e energia, não acreditamos que essa estratégia traz os melhores resultados que você pode ter investindo.

    GROWTH INVESTING

    analise-fundamentalista

    A terceira estratégia que vou apresentar aqui é a de Growth Investing.

    Quem segue essa estratégia busca empresas com alto potencial de crescimento futuro, mesmo que estejam sendo vendidas por valores altos atualmente.

    A premissa principal de quem escolhe as ações dessa forma é de que o potencial de crescimento de algumas empresas é subavaliado pelo mercado.

    Assim, seria possível traçar potenciais de crescimento futuro de empresas a partir de análises de demonstrativos financeiros, cenários futuros e de fluxo de caixa descontado.

    (Fluxo de caixa descontado é a lógica de que o valor real de uma empresa é a soma de todo o caixa que ela vai gerar no futuro a dinheiro de hoje)

    Sendo assim, seguidores do Growth Investing buscam empresas que tenham bastante potencial de crescimento futuro, nas suas avaliações, para ganhar dinheiro a longo prazo.

    Por que preferimos o Value Investing?

    O principal ponto fraco dessa estratégia, na nossa opinião, é o risco assumido.

    Caso o potencial que o investidor calculou para a ação não se concretize, são grandes as chances dele ter prejuízo.

    E não há nenhuma garantia de que as empresas vão atingir seu potencial máximo de crescimento conforme o que foi previsto. Imprevistos acontecem o tempo todo, e isso muda o rumo das coisas.

    Acreditamos que investimentos devem ser algo que nos ajuda a dormir tranquilos à noite, seguros de que nosso patrimônio está seguro e rendendo, e não uma fonte de preocupação.

    Além disso, essa filosofia abre muito espaço para vieses emocionais tomarem conta de suas decisões (a maior armadilha que você vai enfrentar nos investimentos).

    E, finalmente, assim como nossa crítica à estratégia Event-Driven, o Growth Investing requer muito tempo do investidor, algo que simplesmente não faz parte da forma que enxergamos os investimentos.

    GESTÃO PASSIVA

    Como investir em ETFs

    A gestão passiva, por sua vez, é a forma mais “despreocupada” de administrar sua carteira de ações.

    Trata-se da estratégia de adquirir ETFs, os Fundos de Índice.

    Caso você não os conheça, esses são ativos que replicam um índice.

    Por exemplo, um ETF que replica o Ibovespa vai render percentualmente o mesmo que o Ibovespa (não exatamente o mesmo, mas muito próximo. Para fins didáticos, pode considerar que é o mesmo), pois trata-se de um fundo que possui ações na mesma proporção que elas existem na Bolsa brasileira.

    O investidor que segue essa estratégia acredita na eficiência do mercado, e fica tranquilo sabendo que sua carteira de ações vai render percentualmente tanto quanto o mercado de forma geral. 

    Quem opta por Gestão Passiva normalmente não quer se estressar com investimentos, nem arcar com os custos mais elevados que uma gestão ativa acarreta.

    Assim, estes investidores adquirem Fundos de Índice e aceitam uma rentabilidade praticamente igual à do mercado em suas carteiras.

    Por que preferimos o Value Investing?

    Das estratégias listadas aqui, acreditamos que essa seria a melhor para quem está começando a investir em renda variável, na verdade.

    Inclusive, nosso curso de introdução ao mercado de ações, o Minha Primeira Carteira de Ações, é voltado à Gestão Passiva.

    Essa estratégia economiza tempo e dinheiro, o que é ótimo.

    No entanto, para quem já tem um pouco mais de experiência no mercado financeiro, isso limita o rendimento do investidor à situação atual do mercado.

    Funciona muito bem quando o mercado está em alta, mas não tanto quando está em baixa.

    Nós aqui acreditamos que é possível vencer o mercado com consistência no longo prazo usando Value Investing tanto ampliando os lucros nos momentos de alta, quanto minimizando as perdas nos momentos de baixa.

    Por isso, apesar de gostarmos da ideia de Gestão Passiva, acreditamos que é possível ser mais ambicioso ainda, à medida que se adquire mais experiência e conhecimento nessa prática.

    Por isso, ainda preferimos essa metodologia que vem a seguir:

    O QUE É O VALUE INVESTING?

    Toro Investimentos é confiável?

    Finalmente, chegamos na metodologia para a qual todo esse artigo está sendo escrito.

    Nossa “menina dos olhos” aqui no Clube do Valor.

    Se você já é uma pessoa antenada no mundo dos investimentos, é bem possível que já tenha ouvido falar na filosofia de Value Investing.

    Se essa for a primeira vez que está ouvindo falar nela, não se preocupe, é bem simples de explicar.

    Pense nisso: o que você faria se estivesse em uma feira e encontrasse uma barraquinha que oferece moedas verdadeiras e atuais de R$ 1,00, por 40 centavos cada?

    Não precisa nem falar nada: você provavelmente compraria tudo que conseguisse com todo o dinheiro que tem na carteira para multiplicar seu dinheiro, não é mesmo?

    Talvez até tentasse sacar mais para comprar mais moedas antes que outras pessoas descobrissem essa “barraquinha mágica” (ou muito generosa).

    Foi pensando desta maneira que Benjamin Graham, professor e mentor de Warren Buffett, amplamente reconhecido como um dos maiores investidores da história, explicou a filosofia do Value Investing.

    É daí que vem a frase famosa dele:

    Compre ações por um preço inferior ao valor intrínseco da empresa por trás delas

    Assim como o valor intrínseco de uma moeda de R$ 1,00 seria, bem, R$ 1,00, mesmo ela sendo vendida por 40 centavos, ele acreditava que havia ações que valiam mais do que seu preço na Bolsa.

    Portanto, Graham acreditava que existiam diversas empresas subvalorizadas no mercado de ações. 

    Sendo assim, se o investidor conseguisse encontrar essas ações sendo vendidas por menos do que seu real valor, teria grandes ganhos no longo prazo, pois o mercado tenderia a descobrir isso em algum momento e corrigir essas distorções.

    Para encontrar essas ações subvalorizadas, diversos múltiplos de investimento podem ser utilizados. Esses múltiplos são indicadores da qualidade e do preço de uma empresa, e são a base de uma boa análise de Value Investing.

    E essa é a melhor parte dessa forma de seleção de ações.

    A partir da análise de alguns poucos indicadores, é possível verificar a situação atual da empresa com bastante confiança.

    Assim, não há a necessidade de confiar totalmente na eficiência do mercado e nos gráficos, como no caso da Análise Técnica. Não é preciso passar horas e horas lendo notícias e relatórios e fazendo projeções como fazem os investidores Event-Driven

    Não é preciso arriscar apostando numa empresa que ainda não está dando bons resultados como fazem adeptos do Growth Investing, e é possível ter desempenhos superiores ao mercado, como investidores que seguem a Gestão Passiva não conseguem.

    É por isso que Value Investing é a estratégia favorita dos maiores investidores do mundo. É rápida, eficiente, e com resultados muito satisfatórios no longo prazo. 

    Alguns exemplos de estratégias que seguem essa metodologia são a famosa Magic Formula, e o nosso Método Clube do Valor de Seleção de Ações!

    Alguns múltiplos utilizados em análises de Value Investing são:

    P/L – é a relação do preço da ação pelo lucro da ação, indica o quão barata a ação está em relação ao seu desempenho no último ano. Quanto menor essa proporção, mais lucro a ação dá em relação a seu preço!

    P/VPA – é a relação entre o preço da ação e o valor patrimonial por ação que o ativo representa em relação à sua empresa.

    EV/Ebit – Relação entre o valor total da empresa (EV) e o fluxo de caixa gerado por ela (Ebit) (esse é o indicador mais eficaz para achar empresas baratas). Quanto menor essa proporção, mais dinheiro a empresa gera em relação ao seu tamanho!

    ROE– é o Return on Equity, que representa a rentabilidade da empresa em relação ao seu patrimônio. Quanto mais alto, mais rentabilidade a empresa gera em relação ao seu patrimônio!

    ROIC – é o Return on Invested Capital, que indica o retorno da empresa em relação ao capital investido por ela (esse é o indicador mais eficaz para achar empresas eficientes). Quanto mais alta, mais retorno os investimentos da empresa dão!

    Dividend Yield – é a relação entre os dividendos que a ação pagou no último ano pelo preço da ação. Quanto mais alto, mais a ação rendeu em relação ao preço pago pelo investidor por ela!

    Dividend Payout – é o percentual do lucro da empresa que é distribuído entre os acionistas como dividendos ou Juros sobre Capital Próprio. Quanto mais alto, mais lucros a empresa distribui (e menos reinveste em si mesma).

    entre outros…

    A partir da análise de um, dois ou mais desses indicadores, os investidores que seguem o Value Investing decidem as ações mais adequadas para sua carteira!

    Mas você deve estar pensando: como eu descubro todos estes indicadores das empresas?

    É bem simples, e existem opções gratuitas para isso.

    Basta acessar a plataforma Fundamentus, por exemplo, onde todos os múltiplos listados aqui, além de vários outros, são apresentados para as ações da Bolsa brasileira. 

    Todas as escolhas de ações aqui no Clube do Valor são feitas a partir de nossa estratégia de Value Investing, com base em alguns dos múltiplos acima.

    E aí, vai seguir o Value Investing em sua própria carteira de ações depois de ler esse texto?

    Se sim, temos uma recomendação para você!

    Um dos nossos principais cursos aqui no Clube do Valor é o Descomplicando o Mercado de Ações.

    Nele, ensinamos tudo que o investidor precisa saber (desde o básico até estratégias avançadas de Value Investing) para montar sua carteira de ações!

    O curso fica disponível duas vezes por ano, e você pode ter mais informações e checar a disponibilidade dele aqui!

    Com essa dica, me despeço por hoje!

    Um forte abraço, e até a próxima!

    Ramiro Gomes Ferreira


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