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Foto: Pexels | Drawdown: o que é?

Um grande erro que muitos investidores cometem é desconsiderar o Drawdown em seus investimentos ou julgá-los dispensáveis para as suas transações, especialmente na Bolsa. 

O Drawdown é imprescindível para o sucesso de um investimento e sua gestão de risco. Afinal, ele representa todo o histórico de flutuação dos valores de um ativo, desde o seu início.

A partir desses dados, é possível analisar desempenho e comparar lucratividade de diversas ações ou outros produtos financeiros, dando ao investidor a posição de controle. 

Para te ajudar a entender tudo sobre esse tema, a equipe Clube do Valor desenvolveu este artigo completo, com tudo o que você precisa saber para ter sucesso.

Desde qual a importância do método e como calcular seu índice de análise, até como interpretar os dados de modo prático. Vale a pena ler até o final e desfrutar dessas informações importantes. Acompanhe!

O que é Drawdown (DD)?

Drawdown, também conhecido pela sigla DD, significa “rebaixamento”, do inglês. Ele  corresponde ao valor de queda de um ativo em comparação ao valor máximo de cotação.

De modo simples, ele é um índice que revela até que ponto o valor pode cair ou sofrer volatilidade. Sua aplicação é comum no mercado de renda variável, especialmente ao investir em ações

Assim, quando os cálculos corretos são feitos, é possível obter a porcentagem exata de queda, que indicará a “saúde” da ação: se está em vantajosa, mediana ou em risco. Quanto menor o Drawdown, mais estável o ativo é. 

Para que serve o Drawdown?

O Drawdown é utilizado como um indicador de risco de um ativo ou carteira de investimentos

Com ele, é possível identificar situações em que um ativo está deixando de ser lucrativo para ser prejudicial para o seu bolso — antes que seja tarde demais. 

Quando esse monitoramento é constante, acompanhado do desenvolvimento de novas alternativas, as chances de perder dinheiro na Bolsa são muito menores.

Qual é a sua importância para análise de riscos?

Sem o drawdown, é impossível ter assertividade e exatidão sobre os reais riscos de um investimento — um grande perigo para os investidores comprometidos com o sucesso. 

Não ter uma estimativa ou exatidão de risco e perdas nesse mercado é o mesmo que andar com os olhos vendados: uma hora você cai. 

Por ser fiel ao expressar a porcentagem de volatilidade e perda com um ativo, ele se torna uma excelente ferramenta para tomada de decisões. 

Afinal, para ter uma carteira equilibrada, é essencial saber combinar ações mais estáveis para o sucesso a médio e longo prazo, aumentando as expectativas de lucro.

Diferenças do Drawdown para outras medidas de risco

Apesar de ser extremamente importante para a gestão de riscos dos ativos de uma carteira, o Drawdown não é a única medida existente para essa finalidade. 

Você também pode encontrar outros nomes e métodos muito interessantes nesse ramo como:

  • VaR (Valor em Risco/Value at Risk);
  • Stress Test;
  • e Índice Beta, por exemplo. 

Mas, como essas metodologias se diferenciam do Drawdown? A verdade é que cada um apresenta características únicas, que os tornam mais indicados para cada caso. 

É o que acontece com o Stress Test, por exemplo. Ele é utilizado majoritariamente por empresas, bancos e gestoras. Além disso, é focado em analisar o cenário externo e os riscos provenientes dele. 

De modo similar, o Value at Risk existe com o objetivo de calcular o risco esperado, não real, de um ativo no mercado. 

Ainda, o Índice Beta, por sua vez, serve como uma expectativa de retorno do investimento frente ao mercado, que sofre impactos globalmente. 

Percebeu como cada um deles é diferente de Drawdown? Somente ele é capaz de demonstrar com exatidão, através do cálculo, o percentual de perda acumulado e o histórico de volatilidade de cada ativo. 

Como o Drawdown é calculado?

drawdown como calcular
Foto: Pexels | Como calcular o drawdown? 

O Drawdown é calculado considerando o valor máximo e mínimo da cotação, ou o pico e vale, respectivamente. Esses dados são primeiramente subtraídos e depois divididos, desta forma: 

  • Drawdown = (Valor máximo (pico)  – valor mínimo (vale)) / valor máximo;

Se o valor máximo da cotação de uma ação for, por exemplo, R$60,00 e o valor mínimo de queda, R$30,00, basta utilizar a fórmula acima para calcular o DD:

  • (60 – 30) / 60 = 0,5 ou 50%.

Assim, o DD dessa ação seria 50% — um valor já considerado preocupante, já que compromete metade do valor total, algo não tão recomendável. 

Para saber se a ação está valendo a pena ou não, porém, é preciso considerar ainda o fator tempo: 

  • dentro de qual período essa flutuação aconteceu?
  • quais os padrões identificados? 
  • o mercado teve alguma influência externa?
  • a queda foi “geral” — para mais ativos do mesmo estilo? 
  • quanto tempo será necessário para recuperar o rebaixamento e a queda?
  • como foram as recuperações passadas? 

Estas são respostas possíveis através do DD. Apesar de ser um grande aliado aos investidores, ele continua sendo encarado como algo negativo por alguns, justamente pela falta de interpretação do tema. 

Como interpretar o Drawdown corretamente?

Mas, como interpretar o Drawdown corretamente, afinal? Existem 3 pilares que permitem a análise e interpretação assertiva dos dados obtidos pelo cálculo, eles são:

1. Magnitude da perda financeira

Nem sempre o Drawdown representa uma perda financeira. Às vezes, ele se refere apenas à margem de volatilidade. 

A perda financeira só acontece quando, ao final do dia, a ação ou ativo atinge a cotação mínima e não se recupera, trazendo prejuízos. 

Nesses casos, é preciso considerar a magnitude da perda: qual a porcentagem obtida de DD? Basta recorrer ao cálculo que apresentamos acima, comparando essa perda com outros ativos semelhantes que você já deteve. 

2. Duração

A duração também é outro fator determinante para analisar o Drawdown e como ele se comporta. Para isso, algumas perguntas devem ser respondidas: 

  • por quanto tempo aconteceu a baixa?
  • a ação fechou no positivo ou teve grande perda?
  • quanto tempo durou a oscilação? 

Neste caso, algo que contribuirá para o cálculo do tempo máximo de duração do Drawdown é, justamente, fazer o cálculo correto para descobrir este número. Essa informação está compartilhada mais à frente.

Com as fórmulas em mãos, é possível fazer seus próprios cálculos e chegar a conclusões assertivas, baseadas em dados sólidos, sobre a viabilidade e rentabilidade de um ativo. 

A partir desses números, é possível traçar novas rotas e considerar se sua carteira está com riscos bem distribuídos ou exagerados, para atingir o objetivo de otimização de resultados. 

3. Tempo de recuperação

O tempo de recuperação também é um dado a ser considerado. Afinal, o que define se um DD é bom ou ruim é justamente o fator tempo. 

O tempo e duração da queda deve ser proporcional ao valor do Drawdown, ou até menor, se possível. Afinal, não adianta considerar o valor (porcentagem) encontrado no cálculo de modo isolado. 

Os dados precisam ser analisados em conjunto, com o tripé “tempo, duração e magnitude” a fim de desenvolver análises completas e confiáveis. Caso contrário, você nunca atingirá a independência financeira com a sua carteira de ativos. 

Exemplo de Drawdown em Investimentos

Agora, vamos a um exemplo prático. Imagine que você comprou uma ação da empresa X e deseja analisar seu desempenho em um período de 12 meses (1 ano). Para isso, você tem os seguintes dados:

  • até agora, a ação registrou o valor mais alto (pico) de R$200,00 e o mais baixo (vale) de R$150,00;
  • percebemos, então, que a volatilidade da ação foi baixa, com quase R$50,00 de flutuação. 

Com isso em mente, vamos aos cálculos de Drawdown:

  • DD = (Valor máximo (pico)  – valor mínimo (vale)) / valor máximo;
  • (200 – 150) / 200 = 0,25 ou 25%

O resultado do DD foi de exatos 80%. Isso significa que, dentro dos 12 meses estudados, a ação pode flutuar, no máximo, até 25% entre volume máximo, mínimo e perda.

Essa porcentagem não é tão preocupante como seria se o DD tivesse totalizado 80% ou mais. Afinal, já seria quase a totalidade do valor da ação comprometida. 

Quando o valor do DD permite este tipo de conclusão, talvez seja a hora de entender:

  • se vale a pena mesmo manter este tipo de ativo na sua carteira;
  • se ele realmente está de acordo com os seus valores;
  • está alinhado ao seu perfil de investidor;
  • e se está dentro da sua expectativa de resultados. 

Em alguns casos, antes de ter prejuízo, é preciso fazer escolhas inteligentes, baseadas em números e cenários reais. 

O que é considerado um “bom” Drawdown?

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Foto: Pexels | O que é considerado um bom drawdown? 

Um bom Drawdown depende do modo como você encara e do seu perfil de investidor. Afinal, depende inteiramente da sua tolerância ao risco. Para exemplificar: 

  • um trader com perfil mais arrojado pode tolerar um DD de nível mais alto, lidando bem com a incerteza e porcentagem identificada;
  • ao mesmo tempo, um investidor conservador tolerará apenas um nível mais baixo de rebaixamento.

Apesar disso, um bom DD não é identificado apenas por tipo de personalidade ou perfil de investidor. 

Para definir um limite e uma margem segura de Drawdown, alguns investidores e traders decidem estabelecer uma margem de porcentagem. 

É recomendado que o rebaixamento seja mantido abaixo do nível de 20%. 

Ao definir esse nível máximo de rebaixamento de 20%, é possível ter calma, autocontrole e negociar com tranquilidade, sempre com o objetivo de tomar decisões inteligentes no mercado que, a longo prazo, protegerão seu capital.

Algo que pode ser extremamente útil aos profissionais e interessados na área é saber encontrar também o valor do máximo Drawdown, chamado de MDD. 

O que é máximo Drawdown (MDD)

O máximo Drawdown (MDD) é, em poucas palavras, a maior queda no valor do investimento, ou o maior vale, considerando o valor do pico mais alto. 

A grande diferença aqui é que, para o cálculo do MDD, é necessário considerar um longo período de tempo e as condições genéricas do mercado para uma análise completa. 

Somente assim é possível identificar o período de MDD e o período de recuperação, que pode ser visto quando o ativo começa a “normalizar” e trazer bons resultados novamente.

Ainda, além de indicar o desempenho individual do ativo, deixando claro o seu histórico de volatilidade, o MDD também traz indicativos do mercado em que o investimento está inserido, possibilitando a identificação de padrões de comportamento. 

Assim, um valor baixo de MDD indica pequenas flutuações e, consequentemente, menor risco. 

Se o seu perfil de investidor é mais conservador, buscando menos risco, talvez seja interessante antes de escolher um ativo, de fato, comparar os resultados das empresas

Escolha produtos financeiros semelhantes e analise-os. Calcule seus valores de Drawdown e MDD e compare-os. Selecione aquele que parece mais interessante e apresenta menor risco. 

Porém, se certifique de fazer isso com ativos de mesmo contexto, com períodos semelhantes de existência. Não seria justo, por exemplo, querer comparar o MDD de um ativo que existe há 5 anos com um que existe a 5 meses, entende?

Fórmula do MDD

A fórmula para o MDD é diferente da do Drawdown tradicional, já considera o valor mínimo subtraído do máximo, obtendo um resultado negativo ao final, ou seja:

  • (Valor mínimo (vale) – valor máximo (pico)) / valor máximo;

O grande diferencial, neste caso, está no período analisado e na possibilidade de usar os dados obtidos para uma análise mais profunda de mercado, não apenas algo superficial. 

Exemplo de Máximo Drawdown

Vamos a um exemplo de como calcular o MDD: 

  • imagine que a sua carteira de investimentos tenha um valor inicial de R$ 500,00;
  • em um período favorável, ela aumenta e se valoriza para R$750,00;
  • mas, logo depois, cai para R$ 400,00 com uma crise do mercado;
  • com o tempo, se recupera e sobe novamente para R$600,00;
  • após um determinado período de estabilidade, ela cai de novo para R$350,00;
  • depois, volta a se recompor e atinge R$800,00. 

Neste caso, qual seria o Máximo Drawdown, considerando os valores dados? É simples, basta considerar o seguinte:

  • o pico inicial, que foi de R$750,00;
  • e o vale da situação, que foi o valor de R$350,00 (o mais baixo das sequências) antes que um novo pico seja identificado;
  • não consideramos, neste caso, o valor de R$800,00 como máximo, já que o rebaixamento ou queda começou a partir de R$750,00;
  • também não utilizamos no cálculo o valor de R$600,00, já que não representa uma nova alta. 

Com isso em mente, o MDD é:

  • (Valor mínimo (vale) – valor máximo (pico)) / valor máximo;
  • (350 – 750) / 750 = -53,33% 

A partir deste exemplo prático, fica nítido que o MDD é a maior queda entre dois períodos de alta, tornando-o uma excelente métrica para calcular e ter resultados pontuais exatos, reduzindo o risco em investimentos.

O que é o Retorno sobre o Máximo Drawdown (RoMaD)?

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Foto: Pexels | O que é o RoMaD?

O Retorno sobre o Máximo Drawdown, identificado pela sigla “RoMaD”, é um dado de retorno ajustado ao risco, que pode substituir métricas como o Índice de Sharpe e Sortino. 

É muito comum ver investidores de fundos de hedge (uma modalidade de fundos mais arrojada e arriscada) utilizando essa ferramenta para análise. 

Como calcular o RoMaD?

O cálculo desse índice se dá pela fórmula: 

  • RoMaD = retorno da carteira / redução máxima

Com esse dado, é possível analisar o desempenho de toda a carteira num geral, com os melhores e “piores” resultados dos ativos. 

Além disso, também é possível monitorar riscos e tomar decisões assertivas, baseadas em números reais e cenários palpáveis. 

Exemplo de RoMaD

O objetivo de todo investidor equilibrado é ver reduções máximas que sejam o equivalente ou até menos do que o retorno anual da carteira. 

Assim, caso o DD de um período tenha sido 10%, por exemplo, o retorno esperado deve ser 20%, ou seja, RoMaD equivalente a 2. 

Mas, como chegar neste resultado? É simples. Considere outra situação e imagine que: 

  • seu valor máximo da carteira até agora foi R$100,00 e o mínimo, R$80,00;
  • ao considerar o drawdown, vemos que: (100 – 80) / 100 = 20%;
  • se sua carteira tivesse um retorno de 10% no ano;
  • o MDD seria 20%;
  • o retorno seria 10%;
  • e o RoMaD, 0,5 seria o ideal. 

Quais as limitações e considerações do Drawdown?

Existem limitações ao usar o Drawdown? Sim! Assim como todas as áreas e metodologias, essa também apresenta suas considerações. 

Não é viável, por exemplo, usar apenas o DD como métrica para tomada de decisão. Apesar de ser um índice essencial, ele deve ser usado em conjunto com outros dados e análises fundamentalistas.

Além disso, ele é uma métrica passada, ou seja, analisa o histórico de volatilidade, mas não é capaz de fazer estimativas futuras sozinho. 

Mesmo assim, ele é uma peça fundamental para a tomada de decisões assertivas para o futuro, junto a outros dados e considerações. 

Como reduzir o Drawdown da sua carteira de investimentos?

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Foto: Pexels | Como reduzir o drawdown? 

Reduzir o Drawdown da carteira ou portfólio não é uma tarefa fácil. 

É necessário coletar estatísticas e registrar valores de modo preciso de tempos em tempos, de modo quinzenal, mensal, trimestral e outros períodos que você julgar necessário.

Também é necessário monitorar o mercado e monitorar de perto sua carteira, a fim de fazer realocações e diversificações sempre que necessário.  

O papel da diversificação

A estratégia de diversificação, no caso do Drawdown, pode servir como uma “luz no fim do túnel”. 

Afinal, quanto mais ativos diferentes você tem em carteira, menor o risco de perder tudo de uma vez ou enfrentar tempos de queda de modo geral. 

Assim como não é possível confiar apenas na renda variável como forma de investimento, não é possível investir todas as suas “fichas” nas ações de uma única empresa ou instituição. 

Veja outros indicadores relevantes para analisar

Se quiser se aprofundar no assunto de análise e benchmark, pode considerar outros índices interessantes, como:

Índice Sharpe

É uma ferramenta de análise pouco conhecida entre os investidores iniciantes, mas que pode ser extremamente útil ao validar e ponderar estatísticas e volatilidade. 

Seu cálculo se dá pela fórmula: 

  • “IS = ( Ri – Rf ) / (σi);

Onde: 

  • IS = Índice de Sharpe;
  • Ri = Retorno do ativo avaliado (fundo ou carteira);
  • Rf = Retorno livre de risco (“Risk Free”);
  • σi = Risco do ativo avaliado (a letra grega sigma representa volatilidade).”

Leia na íntegra: Índice de Sharpe: vale a pena utilizar esse indicador?

VaR (Valor em Risco)

Seu objetivo é calcular o risco de uma carteira durante determinado período, quantificando as possíveis perdas financeiras e condições da macroeconomia que podem afetar o desempenho dos ativos. 

Ele também é calculado a partir de uma fórmula específica, como:

  • VaR = | R – zδ | V

Onde: 

  • R se refere ao retorno esperado;
  • z é o valor conforme o significado;
  • δ é o desvio de rentabilidade padrão;
  • V, por fim, representa o valor do investimento.

Basta escolher qual modalidade e cálculo você deseja aplicar para o seu portfólio. O importante é nunca tomar decisões “a esmo” ou sem uma boa base. 

Conclusão

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Foto: Pexels | O que aprendemos com o Drawdown?

Percebeu como o drawdown não é um “bicho de sete cabeças”? No começo, pode ser um pouco difícil entendê-lo e calculá-lo, mas, depois que você “pega o jeito” tudo fica mais simples!

Se você deseja aprender de modo mais aprofundado e prático sobre riscos nos investimentos e sobre como se tornar um investidor de sucesso, precisa conhecer os cursos que oferecemos aqui no Clube do Valor. 

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