Investir no exterior é definitivamente algo que você deve fazer.

Especialmente se quer ter bons retornos e mais segurança para seus investimentos no longo prazo.

E os Estados Unidos talvez sejam o lugar ideal para fazer isto.

Investir parte de sua carteira de longo prazo em ações americanas diversifica muito mais seus investimentos do que mantê-los apenas no Brasil.

Além disso, dessa forma você expõe parte de sua carteira a uma economia forte, na qual operam as maiores empresas do mundo, e dolariza parte de seu patrimônio.

E o melhor de tudo: investir no exterior é hoje muito mais simples, barato e fácil do que era uns anos atrás.

Justamente por isso, é algo que você deve fazer o mais cedo possível, se ainda não faz

Espero que as 4 estratégias que vou compartilhar nesse artigo te ajudem a turbinar sua carteira com a Bolsa americana!

QUAIS AS VANTAGENS DE INVESTIR NO EXTERIOR?

Empresa foi vendida como ficam as acoes - imagem do artigo

É difícil frisar o suficiente o quanto eu acredito que você deve investir parte de sua carteira no exterior.

Primeiramente, fazer isso contribui muito para algo que eu valorizo muito nos investimentos: diversificação.

Investindo uma parcela de seu patrimônio no exterior, você está diversificando não apenas os ativos que compra mas também o país no qual os compra.

E isso, comprovadamente, aumenta bastante a estabilidade e rentabilidade de sua carteira em longo prazo.

É o que mostra o gráfico abaixo.

Ele representa o retorno de uma carteira baseada no IBRx (em vermelho) versus o retorno de uma carteira metade IBRx e metade ações americanas (em amarelo), desde 1996 até dezembro de 2019:

Nesse período, a carteira apenas com ações brasileiras teria tido um retorno total de 2984,07%.

Já a 50% Brasil e 50% EUA teria tido retorno total de 4321,45%.

Essa subida tembém foi muto mais estável e menos volátil.

Além disso, é triste dizer, mas vivemos em um país com uma moeda fraca e uma economia fraca.

Por isso, investir parte de seu patrimônio nos EUA, maior economia do mundo com uma das moedas mais valiosas, é tão recomendável.

É uma forma de expor parte de seu dinheiro a uma economia muito mais estável e consolidada, e de dolarizar parte de seus investimentos, não deixando eles totalmente atrelados ao fraco real.

Além disso, é importante mencionar: o Brasil tem algumas empresas gigantescas, e muito boas.

Porém, elas estão longe de serem as maiores e mais lucrativas do mundo.

E essa é outra vantagem de se investir parte de sua carteira nos EUA.

Dessa forma, você emprega um pouco do seu dinheiro nas maiores empresas que existem hoje na Terra: Apple, Google, Microsoft, Amazon, Disney, etc.

Acredito que já te convenci que investir nos EUA é um ótimo negócio, não?

Mas e agora, como fazer isso?

Dê uma olhada nas minhas 4 sugestões a seguir.

MÉTODO #1: INVESTIR DIRETAMENTE EM AÇÕES NO EXTERIOR

Como comprar ações

A primeira forma de investir no exterior que vou apresentar hoje é a mais “direta” de todas, com o perdão do trocadilho.

Isso porque ela é literalmente investir diretamente em ações dos Estados Unidos.

Ou seja, esse primeiro método consiste de simplesmente criar uma conta em uma corretora que tenha acesso à Bolsa norte-americana, enviar dinheiro para ela e fazer suas ordens de compra de ações dos EUA.

Do mesmo jeito que você faria comprando ações na B3 de forma discricionária em qualquer corretora brasileira.

Quais as vantagens deste método?

Investindo diretamente, você tem a experiência mais parecida com o investimento ativo na Bolsa brasileira de qualquer método que vou apresentar nesta lista.

Ou seja, desta forma, você pode ativamente escolher as ações que quer comprar de forma discricionária. 

Portanto, você tem muito mais controle sobre a gestão da parte de ações dos EUA de sua carteira, pois pode decidir quais das milhares de empresas listadas na Bolsa americana vão estar em seu portfólio de investimentos.

Se você é uma pessoa que gosta muito de ativamente escolher os papéis de sua carteira, essa possibilidade pode ser um atrativo interessante para você!

Quais as desvantagens deste método?

Embora seja muito mais simples do que era alguns anos atrás, investir diretamente no exterior ainda é uma tarefa um pouco burocrática.

Algumas corretoras americanas, por exemplo, só aceitam estrangeiros residentes nos EUA como clientes.

Outras, nas quais isso não é necessário, pedem que você preencha um formulário alegando não residência, chamado W8-ben.

Além disso, é necessária bastante documentação para fazer uma conta em uma corretora americana. Apesar de variar, os requisitos normalmente incluem:

  • CPF
  • Declaração do IR
  • Comprovante de Residência
  • Informações sobre o empregador
  • Cópia do Passaporte

Porém, há alguns esforços recentes de diminuir essa burocracia, como a corretora Avenue, por exemplo.

Ela se propõe a facilitar o investimento dos brasileiros nos EUA com um cadastro mais simples, câmbio dentro da plataforma e um Home Broker parecido com os nossos.

Porém, depois da conta na corretora, ainda é necessário notificar o Banco Central anualmente, se você for investir mais de US$ 100 mil nos EUA, ou trimestralmente, se for investir mais de US$ 100 milhões.

Quanto aos custos, há os custos da remessa que você deve fazer para sua corretora americana, que podem incluir IOF e qualquer taxa que sua instituição financeira cobre para o câmbio e transferência.

É importante cuidar também com a taxa de corretagem, cobrada em dólar. Por exemplo, esse é o funcionamento das da corretora Avenue:

Como é possível ver, cada ordem de até US$ 1.000 paga US$ 2.50 de corretagem. Dependendo da cotação, pode ser um valor importante.

Finalmente, a tributação também importa. Nos EUA, 30% dos dividendos são cobrados na fonte como imposto.

Você deve declarar esses investimentos no IR, e paga progressivamente mais imposto quanto maiores forem seus ganhos.

A cobrança vai de 15% sobre ganhos de até 5 milhões de reais no exterior, até 22,5% para ganhos acima de 30 milhões de reais.

MÉTODO #2: FUNDOS CAMBIAIS. COMO FUNCIONAM?

Como Transferir Ações de uma Corretora Para Outra: Passo a Passo Completo

Fundos Cambiais são fundos dos quais o investidor pode participar comprando cotas.

O dinheiro da venda das cotas é, por sua vez, investido pelos gestores do Fundo em uma carteira que, por lei, precisa ter pelo menos 80% de seu patrimônio investido em ativos relacionados a moedas estrangeiras.

Cabe mencionar que o resto do patrimônio não precisa estar, necessariamente, em ações.

O Fundo Cambial pode investir em ações, em fundos multimercado, em renda fixa ou em portfólios globais

Para investir desta forma, você deve conhecer os Fundos Cambiais disponíveis e escolher aquele ou aqueles mais condizentes com suas condições e objetivos.

Hoje, muitos desses Fundos Cambiais estão disponíveis nas plataformas das próprias corretoras, e cotas deles podem ser compradas em reais.

Isso tira a necessidade de fazer remessas ao exterior e câmbio.

Quais as vantagens deste método?

Investir por Fundos Cambiais é mais simples e rápido do que investir diretamente em ações dos EUA, e isso já é uma boa vantagem para muita gente que prioriza simplicidade nos investimentos.

Também, diferentemente do investimento direto, não há necessidade de fazer remessas internacionais ou pagar taxas de câmbio.

Além disso, o processo é muito mais acessível hoje do que era alguns anos atrás quando Fundos Cambiais só poderiam ser comprados por investidores qualificados.

Ou seja, investidores com mais de R$ 1 milhão de reais investidos, ou alguma certificação do mercado financeiro.

Hoje, os Fundos Cambiais estão disponíveis para todos os investidores, alguns tendo inclusive valores mínimos de entrada bem baixos, como R$ 500,00, como esses disponíveis na corretora RICO:

Como é possível ver, existem alguns Fundos com uma barreira de entrada mais alta, mas mesmo com pouco capital, você pode investir em outros!

Quais as desvantagens deste método?

Uma das principais desvantagens do investimento por Fundos Cambiais é que o investidor deve, por conta própria, ir atrás de informações sobre os fundos para escolher um.

Isso pode consumir um certo tempo, dependendo do nível de análise que o investidor deseja fazer.

Além disso, a gestão desses Fundos cobra uma taxa de administração, que normalmente varia entre 0,5% e 2% – nada muito caro, mas um pequeno custo a mais para você observar.

MÉTODO #3: INVESTIR EM BRAZILIAN DEPOSITARY RECEIPTS (BDRs)

A terceira forma de investimento em ações dos EUA que vou apresentar hoje é através de Brazilian Depositary Receipts, ou BDRs.

Nessa modalidade, o investidor compra, aqui no Brasil, através de seu Home Broker, “títulos” ou “certificados” que representam uma ação estrangeira como se fossem ela, mas não são ela de fato.

Esses certificados são gerados por instituições depositárias brasileiras e são negociados na B3. Eles podem ser:

Patrocinados:

Quando a empresa estrangeira à qual o título se refere solicita à instituição financeira que os gere e disponibilize.

Não Patrocinados:

Quando não há nenhum acordo formal entre a empresa e a instituição depositária.

Quais as vantagens deste método?

As compras dos BDRs podem ser feitas em reais, em sua própria corretora, como você já faz com ações brasileiras, o que facilita muito este processo.

O dinheiro fica custodiado no Brasil, então não há necessidade de remessas!

Quais as desvantagens deste método?

No momento que esse artigo é escrito, infelizmente, BDRs ainda são uma modalidade de investimento disponível apenas para investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão de reais investidos, ou alguma certificação do mercado financeiro)

Isso deve mudar em breve, mas ainda é algo que deixa o investimento em BDRs menos acessível.

Além disso, ainda há poucas opções de BDRs quando comparadas ao número de empresas nos EUA, e menos ainda quando se observa uma liquidez mínima para os investimentos.

MÉTODO #4: INVESTIR EM EXCHANGE TRADED FUNDS (ETFs) AMERICANOS

Como investir em ETFs

Finalmente, chegamos ao quarto método dessa lista, e o nosso favorito aqui no Clube do Valor.

Ele inclusive é parte integrante da exclusiva estratégia Bull Bear de investimento, que apresentamos em nosso treinamento Minha Primeira Carteira de Ações.

Trata-se do investimento no exterior através de Exchange Traded Funds, ou ETFs.

Para investir desta forma, basta comprar cotas de um ETF que replique a Bolsa americana através de seu Home Broker, como se fosse uma ação.

Esse ETF é um fundo que tem as mesmas ações da Bolsa dos EUA na mesma proporção que elas existem lá. Portanto, a rentabilidade dele tende a ser praticamente a mesma, percentualmente, da Bolsa americana!

Apesar de haver algumas opções, o ETF americano mais conhecido aqui no Brasil é o IVVB11, que replica o S&P 500.

Quais as vantagens deste método?

Investir por ETFs é muito simples, fácil e rápido.

Além disso, pode ser feito com pouquíssimo dinheiro, e, mesmo assim, diversifica instantaneamente sua parcela dolarizada da carteira nas 500 maiores empresas dos EUA!

É certamente a forma que une simplicidade e diversificação da melhor forma nesta lista.

Quais as desvantagens deste método?

No lado das desvantagens, é possível citar o fato de que, investindo por ETFs, você perde um pouco do “controle” sobre quais ativos estão em sua carteira.

Isso porque você não decide quais ações o fundo compra.

Além disso, você nunca vai “vencer o mercado” americano investindo através de ETFs, pois a rentabilidade dessa parte de sua carteira sempre será a mesma que a rentabilidade da Bolsa americana + o câmbio dólar-real.

COMO DECIDIR A MELHOR FORMA PARA VOCÊ?

gestao-de-investimentos

Apesar do Método #4 – Através de ETFs ser nosso favorito aqui no Clube do Valor, isso não significa que ele é necessariamente o melhor para você.

Muitas pessoas têm sucesso investindo de outras formas também.

O importante aqui é autoconhecimento: entender quanto trabalho e tempo você quer colocar em seus investimentos no exterior.

E também entender o quanto controle você deseja ter dessa parcela de sua carteira!

Mas, quando descobrir isso, espero que comece logo a diversificar internacionalmente sua carteira.

Assim pode ter certeza de que terá uma rentabilidade muito maior de longo prazo, e um caminho muito mais tranquilo rumo à sua Tranquilidade Financeira!

E para saber com mais exatidão quando esta deve chegar, te convido a usar a calculadora de independência financeira disponível abaixo!

Ela vai te ajudar a descobrir em quanto tempo você terá dinheiro suficiente para viver de renda, com base em seu patrimônio atual e aportes futuros e quanto eles renderiam em uma carteira diversificada!

Se tiver alguma dúvida sobre o uso dela, dê uma olhada nessa página!

Com isso, me despeço por hoje!

Um forte abraço e não esqueça de deixar suas dúvidas nos comentários!

Ramiro Gomes Ferreira