Talvez você já tenha ouvido falar que investir somente no Brasil pode ser um movimento um tanto arriscado. Ou pode ter se encontrado com medo ou receio do futuro, buscando uma moeda forte e distinta do Real.

Eu sei, eu te entendo.

Seja por um cenário politicamente instável ou por um cenário econômico um pouco incerto, a probabilidade é que você já tenha pensado em levar o seu dinheiro para fora do país.

Mas, qual a melhor forma de fazer isso?

Investir no exterior é mais simples do que você imagina. Hoje em dia, o mercado brasileiro conta com diversas opções rentáveis e acessíveis ao investidor comum – como você e eu.

Até o final do texto, vou te mostrar um pouco mais sobre os melhores investimentos, as formas de começar e muito mais! Portanto, para começar:

O que é Investimento Internacional?

De forma simples, qualquer investimento disponível em outros países pode ser considerado como um investimento internacional.

Isso significa que este ativo possui sua rentabilidade atrelada a algum fator que reside fora do Brasil. Assim, não depende de nossa política interna para conseguir crescer a níveis interessantes na sua carteira

O investimento internacional não abrange somente o investimento em dólar nos Estados Unidos, mas também investimentos em outros países emergentes e consolidados da Europa, Ásia e das Américas.

Grandes investidores como William Bernstein – autor de The Intelligent Asset Allocator, um de nossos livros favoritos – caracterizam o investimento no exterior como a principal forma de diversificar sua carteira entre mercados emergentes e consolidados.

Assim, a alocação estudada por William conta com, pelo menos, 15% dos investimento em ações no exterior – dos quais ele divide entre o continente Europeu, Asiático e mercados emergentes.

Porém, o estudo de Bernstein acontece nos Estados Unidos. Ou seja, o autor já está protegido por um mercado consolidado em dólar.

Assim, para a sua carteira, se lembre que o Brasil é um bom exemplo de mercado emergente: ainda com retornos incertos e que, recentemente, têm variado bastante.

E o que são ativos internacionais?

Ativos de investimento no exterior podem ter diversas formas e fontes de rentabilidade.

Existem os títulos de dívida de governos de outros países (assim como o Tesouro Direto brasileiro), empresas com sede ao redor do mundo, ativos imobiliários internacionais e por aí segue…

O importante de entender ao avaliar se o ativo poderia participar de sua carteira como diversificação internacional, é a independência de operações e retornos do Brasil.

Tecnicamente falando, você deve buscar algo descorrelacionado com os ativos presentes no nosso país. Assim, você pode dormir tranquilo caso algo de errado aconteça por aqui.

Dito isso, por quê investir no mercado internacional?

Esta pergunta resume um pouco do que você já leu até aqui.

E a verdade é que tudo se resume à diversificação.

Sabe aquela velha frase: “não existe almoço grátis”, do Milton Friedman? Bom, ela está quase certa.

Brincadeiras à parte, a diversificação de sua carteira em diferentes ativos, classes de ativo e países ou moedas é o verdadeiro almoço grátis do mercado financeiro.

Montando sua carteira, é possível que você:

  • Diminua seu risco;
  • Diminua seu potencial de perdas;
  • Aumente seu potencial de retornos.

Parece interessante para você?

Acontece que ativos internacionais são os ativos com maior potencial de diversificação que existem.

Isso acontece pela razão que comentamos no último bloco, a sua independência e a descorrelação de retornos com os ativos brasileiros.

Além disso, o mercado financeiro internacional é muito mais desenvolvido que os mercados brasileiros. Logo, possuem um maior número e diversidade de ofertas para investir e uma maior liquidez (volume de negociações).

Além, e é claro, maior estabilidade de um investimento em moedas com uma menor inflação histórica.

Qual a importância do investimento estrangeiro para a carteira pessoal de investimento?

Abaixo, mostramos um pouco melhor a diferença de um investimento em ações no Brasil, com um investimento em ações do índice S&P 500 – o Ibovespa americano.

Ao lado, comparamos ambos a uma combinação de carteira com metade alocado em cada um. Notam como conseguimos aumentar os retornos e diminuir os riscos?

Acredito que, se você chegou até aqui, já entendeu bem os motivos de diversificar sua carteira com ativos do exterior e está pronto para começar. Então, sei que vai querer que eu responda essa pergunta:

Quais as formas de investimento internacional?

Hoje, você pode investir em ativos do exterior por meio de qualquer uma das grandes corretoras e bancos do país – tanto que muitos dos ativos abaixo são listados na Bolsa brasileira, a B³.

Vamos conhecer um pouco melhor cada um deles:

1. Investimento Direto

A ideia deste tipo de gestão é investir como se você fosse um local no país estrangeiro.

Ele requer que você tenha conta em algum banco ou corretora no exterior e aplique nos fundos e nas bolsas de valores diretamente.

Aqui não tem nenhum segredo, é preciso entender o que comprar e quando vender. Ou seja, ter uma estratégia clara para não ficar perdido. Caso você ainda não tenha isso bem definido, considere estas próximas opções:

2. Fundos de Investimento no Exterior

Os fundos de investimento são comuns no Brasil, e a maioria leva em seus nomes a palavra “Exterior” para identificação.

Eles são veículos onde você delega a um gestor a responsabilidade de gerir o seu dinheiro em troca de uma taxa de administração anual e uma taxa de performance.

Ele é uma boa opção caso você deseje uma alocação específica e conheça a estratégia utilizada por aquele gestor. Caso você ainda tenha dúvidas sobre como ele irá realizar essa gestão, existem opções mais claras e baratas abaixo. Veja:

3.  ETFs

O ETF, ou Exchange Traded Fund, é um fundo de índice negociado em bolsa. Assim, está disponível para você em sua corretora ou banco por meio do Home Broker – bem como as ações brasileiras.

Ele possui uma alocação clara e objetiva, normalmente replicando algum índice global como o Ibovespa americano (o S&P 500).

Ele também é um investimento em moeda estrangeira, uma vez que os ativos não são comprados em reais. É uma opção rentável, de menor volatilidade, taxas baixas e transparentes. Aqui na gestora do Clube do Valor, já utilizamos há muito tempo o ativo IVVB11, por exemplo.

4. COEs

Esse tipo de ativo é uma operação estruturada, a qual se aplica em algum índice ou indicador e limita os ganhos e as perdas.

É um ativo no limiar entre Renda Fixa e Renda Variável, com altas taxas embutidas (e escondidas do investidor).

Caso seu investimento seja para longo prazo, e a sua carteira esteja bem diversificada, não é um ativo que faça muito sentido, segundo a nossa filosofia de investimentos, pelo fato de limitar os seus retornos.

5. BDRs

Esse tipo de investimento tem crescido muito no país nos últimos anos.

Os Brazilian Depositary Receipts, ou BDRs, são ações de empresas estrangeiras negociadas na bolsa brasileira.

Empresas como a Apple, Facebook e Google podem ter você como acionista a custos baixos de transação e investindo em dólar.

Neste quesito, a oferta de BDRs ainda é relativamente pequena no país em número de opções e cabe ressaltar o mesmo ponto que comentamos em relação ao investimento direto:

Procure ter uma estratégia clara para saber o que comprar, quando comprar e quando vender. Caso contrário, a sua dor de cabeça pode fazer essa opção não valer a pena.

Como montar uma carteira de investimentos com ativos internacionais?

Logo, conhecendo as oportunidades e opções, imagino que você já saiba um pouco da minha resposta.

Procure definir bem a sua estratégia de investimento, assim como você deve fazer ao investir aqui no Brasil.

Uma alocação que gostamos muito de aplicar com alunos do Clube do Valor é a da Estratégia Bull Bear de Investimentos. Essa alocação divide a sua carteira de ações em 50% Ações Brasil (em fundos, como por exemplo o Ações Baratas Clube do Valor FIC FIA) e 50% em Ações Estados Unidos, representada pelo ETF do IVVB11.

Assim, você estaria bem diversificado entre 20 ações brasileiras e 500 ações americanas em dólar. 

Mas afinal, qual o melhor investimento internacional?

Bom, depende.

O melhor investimento internacional a se fazer depende do seu nível de risco e disponibilidade para acompanhar o mercado e aplicar uma estratégia. Isso você já entendeu, talvez então me pergunte de outra forma:

Quais os melhores ativos internacionais?

Aí sim. Pessoas com maior nível de risco podem assumir controle de sua estratégia com ativos comprados diretamente.

Se você não possui o tempo ou prazer em realizar essa atividade, os fundos são uma boa opção de rentabilidade e os ETFs uma boa relação de custo/benefício

Ficou com vontade de começar agora mesmo? Se você ainda não possui uma plataforma para investir, aí está seu próximo passo. Logo, já recebi esta pergunta algumas vezes:

Qual a melhor corretora americana para brasileiros?

Existem algumas que podem te ajudar, e recomendo que conheça um pouco melhor a proposta delas antes de começar a investir:

  • Avenue: recentemente adquirida pelo Itaú, a Avenue possui conta de investimento nos Estados Unidos, serviços bancários e cartão de crédito internacional.
  • Passfolio: empresa recente, fundada em 2018 nos Estados Unidos, ela te garante acesso a mais de 170 países e também trabalha com criptoativos.
  • Stake: a Stake é uma corretora australiana que lançou seu aplicativo por aqui em 2019. Ela possui uma boa relação custo benefício e te dá acesso ao mercado australiano, europeu e da América do Norte.

Como estas empresas existem, ainda irão surgir muitas outras. Algumas grandes corretoras brasileiras como a XP e o BTG também já possuem serviços internacionais. Explore um pouco mais e entenda qual delas te deixa mais confortável para começar. 

Aprenda a investir com o Clube do Valor

Ah, faltou deixar mais uma dica: se você quer ir atrás da sua carteira ideal, mas sente que não tem conhecimento o bastante para fazer todos os aportes e decisões necessárias, saiba que você não precisa fazer isso sozinho.

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Continue a desenvolver sua educação financeira, lembre que seu maior ativo é o conhecimento! Bons investimentos, e até logo!

Referências: